Pôster de Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 1

JOGOS VORAZES: A ESPERANÇA - PARTE 1

(The Hunger Games: Mockingjay - Part 1)

2014 , 125 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 20/11/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Francis Lawrence

    Equipe técnica

    Roteiro: Danny Strong, Suzanne Collins

    Produção: Jon Kilik, Nina Jacobson

    Fotografia: Jo Willems

    Trilha Sonora: James Newton Howard

    Estúdio: Color Force, Lionsgate Films

    Montador: Alan Edward Bell, Mark Yoshikawa

    Distribuidora: Paris Filmes

    Elenco

    A. Michelle Harleston, Elden Henson, Evan Ross, Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Julianne Moore, Kim Ormiston, Liam Hemsworth, Lily Rabe, Mahershala Ali, Misty Ormiston, Natalie Dormer, Patina Miller, Philip Seymour Hoffman, Sam Claflin, Stef Dawson, Taylor McPherson, Wes Chatham

  • Crítica

    18/11/2014 19h19

    Por Daniel Reininger

    O torneio Jogos Vorazes foi a forma encontrada por Suzanne Collins para tratar de temas como fascismo, revolução, guerra, política e fanatismo em uma franquia adolescente. Nesse terceiro longa baseado em seus livros, obviamente, não vemos a arena, mas tudo que foi construído nos filmes anteriores culmina numa guerra civil que pode significar a destruição de Panem ou a libertação de seu povo. O diretor Francis Lawrence mostra, mais uma vez, que sabe como tornar esses assuntos interessantes para os jovens e relevantes para adultos.

    Dessa vez, Katniss (Jennifer Lawrence) acorda no hospital do Distrito 13, após ser salva da arena do Massacre Quaternário. Ela não aceita o fato de Peeta (Josh Hutcherson) ter sido deixado para trás e dificulta os planos da fria presidente Coin (Julianne Moore) de usá-la como símbolo da rebelião. Entretanto, quando vê a destruição causada pela Capital no Distrito 12, sua casa, ela muda de ideia e decide ajudá-los, desde que o resgate de Peeta e outros vencedores dos Jogos seja uma das prioridades.

    A forma como a imagem de Katniss é usada é extremamente manipuladora e nos faz questionar o quanto o lado rebelde é diferente do Presidente Snow, que fazia o mesmo quando a protagonista era uma das queridinhas dos fãs dos Jogos. Além disso, as regras rígidas e costumes do Distrito 13 não parecem tão democráticos assim. Entretanto, lá está Katniss, mais uma vez, agindo com o coração e deixando outros tomarem decisões por ela – tudo em nome do ódio pela Capital.

    As referências da série são muitas e, mesmo que a narrativa se destine a agradar aos adolescentes, também é capaz de aprofundar questões sociais comuns a todos nós. A Esperança - Parte 1, assim como seus predecessores, foi feito para divertir (e faz isso), mas também é intrigante, afinal desconstrói a imagem do herói ao focar na pessoa por trás do símbolo - algo que Katniss nunca quis ser.

    Embora seja uma narrativa incompleta, A Esperança – Parte 1 funciona, afinal não chega a ser arrastado como acontece nos encerramentos de Crepúsculo ou Harry Potter. Na verdade, até chega a fechar a trama a qual se propõe: a situação de Katniss e Peeta. Dito isso, a divisão do terceiro livro de Suzane Collins não é algo justificável. Era possível enxugar algumas cenas e aumentar a duração em 40 minutos para encerar em apenas um filme. Infelizmente, essa é a nova moda de Hollywood, fazer dois produtos inchados que poderiam, com bom trabalho de edição, se tornar apenas uma obra bem feita.

    Apesar disso, o longa faz ótimo trabalho ao mostrar a evolução dos personagens. Josh Hutcherson (Peeta), Jennifer Lawrence (Katniss) e Liam Hemsworth (Gale) souberam como dar novos ares a velhos personagens, cada um com novas funções e desafios. Elizabeth Banks, como Effie, permanece como alívio cômico e Woody Harrelson ainda é o mentor de Katniss, mesmo fora dos Jogos. Philip Seymour Hoffman se destaca como Plutarch Heavensbee, a mente por trás da propaganda rebelde, em um de seus últimos trabalhos. Todos mudaram de alguma forma, mas estão ligados por cicatrizes psicológicas e pelo desejo de uma vida melhor para os cidadãos de Panem.

    Ainda existe a questão do trio amoroso, mas, como nos filmes anteriores, é algo tratado com realismo e passa longe de ser o foco da narrativa. Mais importante, o amor é reprimido por sentimentos de culpa, obrigação para com o outro e necessidade de sobrevivência. Esse é o aspecto definitivo que separa Jogos Vorazes de DivergenteCrepúsculo e outros filmes adolescentes, cujos romances tomam proporções irrealistas.

    Mérito também do cineasta por criar sensação de tensão e horror ao longo de toda a produção. Sentimos a urgência da situação e sabemos que os protagonistas precisam agir para aproveitar as oportunidades. Lawrence faz isso sem deixar de explorar momentos de leveza, os quais evitam que o tom torne-se exageradamente opressivo para os adolescentes. Como consequência, a narrativa é bem equilibrada e não apela para o melodrama.

    A Esperança – parte 1 transmite de forma eficaz a idéia de que, em circunstâncias como essas, não há respostas simples. Não há herói perfeito ou governos ideais. O verdadeiro perigo está no extremismo: Até que ponto o ódio contra a capital pode levar todos ao fim? O inverso também é verdade. O filme peca em mostrar Snow como vilão supremo, porém se redime ao mostrar a oposição como algo quase tão ruim quanto. Katniss precisa escolher entre duas péssimas opções da melhor maneira possível, além de aprender a aceitar as consequências de seus atos. Dilemas como esse colocam a franquia como uma das melhores produções voltadas para o público jovem na atualidade.



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