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    JOGOS VORAZES: A ESPERANÇA - PARTE 1

    Discurso político é novamente foco da franquia
    Por Daniel Reininger
    18/11/2014

    O torneio Jogos Vorazes foi a forma encontrada por Suzanne Collins para tratar de temas como fascismo, revolução, guerra, política e fanatismo em uma franquia adolescente. Nesse terceiro longa baseado em seus livros, obviamente, não vemos a arena, mas tudo que foi construído nos filmes anteriores culmina numa guerra civil que pode significar a destruição de Panem ou a libertação de seu povo. O diretor Francis Lawrence mostra, mais uma vez, que sabe como tornar esses assuntos interessantes para os jovens e relevantes para adultos.

    Dessa vez, Katniss (Jennifer Lawrence) acorda no hospital do Distrito 13, após ser salva da arena do Massacre Quaternário. Ela não aceita o fato de Peeta (Josh Hutcherson) ter sido deixado para trás e dificulta os planos da fria presidente Coin (Julianne Moore) de usá-la como símbolo da rebelião. Entretanto, quando vê a destruição causada pela Capital no Distrito 12, sua casa, ela muda de ideia e decide ajudá-los, desde que o resgate de Peeta e outros vencedores dos Jogos seja uma das prioridades.

    A forma como a imagem de Katniss é usada é extremamente manipuladora e nos faz questionar o quanto o lado rebelde é diferente do Presidente Snow, que fazia o mesmo quando a protagonista era uma das queridinhas dos fãs dos Jogos. Além disso, as regras rígidas e costumes do Distrito 13 não parecem tão democráticos assim. Entretanto, lá está Katniss, mais uma vez, agindo com o coração e deixando outros tomarem decisões por ela – tudo em nome do ódio pela Capital.

    As referências da série são muitas e, mesmo que a narrativa se destine a agradar aos adolescentes, também é capaz de aprofundar questões sociais comuns a todos nós. A Esperança - Parte 1, assim como seus predecessores, foi feito para divertir (e faz isso), mas também é intrigante, afinal desconstrói a imagem do herói ao focar na pessoa por trás do símbolo - algo que Katniss nunca quis ser.

    Embora seja uma narrativa incompleta, A Esperança – Parte 1 funciona, afinal não chega a ser arrastado como acontece nos encerramentos de Crepúsculo ou Harry Potter. Na verdade, até chega a fechar a trama a qual se propõe: a situação de Katniss e Peeta. Dito isso, a divisão do terceiro livro de Suzane Collins não é algo justificável. Era possível enxugar algumas cenas e aumentar a duração em 40 minutos para encerar em apenas um filme. Infelizmente, essa é a nova moda de Hollywood, fazer dois produtos inchados que poderiam, com bom trabalho de edição, se tornar apenas uma obra bem feita.

    Apesar disso, o longa faz ótimo trabalho ao mostrar a evolução dos personagens. Josh Hutcherson (Peeta), Jennifer Lawrence (Katniss) e Liam Hemsworth (Gale) souberam como dar novos ares a velhos personagens, cada um com novas funções e desafios. Elizabeth Banks, como Effie, permanece como alívio cômico e Woody Harrelson ainda é o mentor de Katniss, mesmo fora dos Jogos. Philip Seymour Hoffman se destaca como Plutarch Heavensbee, a mente por trás da propaganda rebelde, em um de seus últimos trabalhos. Todos mudaram de alguma forma, mas estão ligados por cicatrizes psicológicas e pelo desejo de uma vida melhor para os cidadãos de Panem.

    Ainda existe a questão do trio amoroso, mas, como nos filmes anteriores, é algo tratado com realismo e passa longe de ser o foco da narrativa. Mais importante, o amor é reprimido por sentimentos de culpa, obrigação para com o outro e necessidade de sobrevivência. Esse é o aspecto definitivo que separa Jogos Vorazes de DivergenteCrepúsculo e outros filmes adolescentes, cujos romances tomam proporções irrealistas.

    Mérito também do cineasta por criar sensação de tensão e horror ao longo de toda a produção. Sentimos a urgência da situação e sabemos que os protagonistas precisam agir para aproveitar as oportunidades. Lawrence faz isso sem deixar de explorar momentos de leveza, os quais evitam que o tom torne-se exageradamente opressivo para os adolescentes. Como consequência, a narrativa é bem equilibrada e não apela para o melodrama.

    A Esperança – parte 1 transmite de forma eficaz a idéia de que, em circunstâncias como essas, não há respostas simples. Não há herói perfeito ou governos ideais. O verdadeiro perigo está no extremismo: Até que ponto o ódio contra a capital pode levar todos ao fim? O inverso também é verdade. O filme peca em mostrar Snow como vilão supremo, porém se redime ao mostrar a oposição como algo quase tão ruim quanto. Katniss precisa escolher entre duas péssimas opções da melhor maneira possível, além de aprender a aceitar as consequências de seus atos. Dilemas como esse colocam a franquia como uma das melhores produções voltadas para o público jovem na atualidade.