cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    JOHN WICK 3 - PARABELLUM

    Por Daniel Reininger
    13/05/2019

    Parabellum, cujo significado é prepare-se para a guerra, coloca John Wick em uma luta desesperada pela própria vida em mais um ótimo longa de ação com cenas exageradas e brutais. Com porradaria ininterrupta, mundo interessante, protagonista carismático e absurdamente letal, o filme traz a combinação ideal para mais duas horas de diversão desenfreada.

    A trama começa minutos após o final de John Wick: Um Novo Dia Para Matar, quando John enfrenta as consequências por ter matado dentro do hotel Continental e ter desafiado a organização da qual fazia parte. Sua jornada para permanecer vivo e acertar as contas com a Mesa Alta o leva novamente a locações incríveis e garante momentos de tirar o fôlego, como uma perseguição envolvendo motos e um cavalo.

    Keanu Reeves domina a tela como o assassino com consciência e absurdamente resiliente. Mesmo com poucas falas, é fácil gostar do protagonista, mesmo que você não tenha assistido aos dois longas anteriores, o que vale muito fazer, diga-se de passagem.

    É impressionante a criatividade para as lutas, perseguições, tiroteios. O longa traz uma sensação de videogame, com fases a serem batidas, sem parecer artificial. Uma cena em especial, em Casablanca, fará os amantes dos games irem à loucura. Porém, a capacidade de parecer um jogo quando precisa, alternar momentos de construção do mundo e de personagem de forma fluída, fazem dessa franquia algo único.

    A atenção aos detalhes é um dos pontos cruciais. São ótimos os elementos como a música de Vivaldi para ambientar uma cena de ação, um ballet dramático para ambientar uma vingança, o anacronismo da organização dos assassinos, as armas e armaduras, o cuidado com as coreografias, a forma burocrática como a organização funciona e os elementos medievais em contraste com modernos ou até futuristas. É simplesmente incrível ver algo complexo e bizarro assim fazer sucesso no cinema.

    Parabellum não tenta ser realista, mas ainda é estranho ver a pancadaria comer solta no meio das ruas e nenhum civil se dar conta e a polícia nunca aparecer. Outro problema está em algumas lutas longas demais. Em dois momentos, pelo menos, o filme arrasta os combates, que poderiam ser encerrados antes e causar o mesmo impacto, sem arriscar causar tédio no espectador.

    Mas é particularmente interessante ver como tudo nesse mundo gira em torno de honra, lealdade e demonstração de força. Esses elementos movem cada personagem na trama e aumenta os riscos a cada decisão tomada por indivíduos interessantes.

    O longa traz de volta o ótimo chefe do Continental Hotel, Winston (Ian McShane), o orgulhoso Bowery King (Laurence Fishburme) e o leal concierge Charon (Lance Reddick), que se mostra muito badass por sinal. Além deles, apresenta personagens cativantes, como Sofia (Halle Berry) e seus cachorros, a Diretora (Anjelica Huston), uma agente Russa que conhece John Wick muito bem, e Jerome Flynn (o Bronn, de Game of Thrones) em um papel pequeno, porém intenso. Destaque também para a Adjudicator vivida por Kate Dillon de forma pragmática, como faz sentido.

    O filme tem muitas nuances e consegue fazer isso sem precisar parar por longos períodos de tempo. É ótimo ver que a violência visceral está de volta, as lutas são simplesmente incríveis e bem coreografadas, com fotografia impecável, câmera bem posicionada e cenários inspirados, capazes de empolgar quem curte excelentes cenas de ação com um toque de exagero.

    John Wick 3 - Parabellum mantém a qualidade da franquia, afinal são três filmes contando, efetivamente, a mesma história de forma linear. Impossível não ficar ansioso pelo quarto filme.