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    JOJO RABBIT

    Por Daniel Reininger
    31/01/2020

    O diretor de Thor: Ragnarok, Taika Waititi, apresenta a história de um menino quer entrar para a juventude nazista e servir no exército de Hitler, que é seu amigo imaginário. É uma abordagem inquietante, mas Waititi e seu talentoso elenco conseguem entregar uma narrativa cheia de ternura e o material se torna atual, engraçado e reflexivo.

    Para quem não sabe, essa é uma adaptação do romance Caging Skies, de Christine Leunens, lançado em 2008. Com sua mistura de humor irreverente e temas sérios, Jo Jo Rabbit não vai agradar a todos, mas é uma sátira anti-ódio audaciosa e muito bem escrita, com momentos de ternura e tensão.

    O novato Roman Griffin Davis interpreta Jojo Betzler, um garoto de 10 anos que acredita firmemente em tudo o que lhe é dito pelo Partido Nazista. De fato, Jojo é tão doutrinado que leva três semanas para superar o fato de que seu avô não era loiro.

    Jojo também fala com Hitler imaginário quando se sente pressionado, mas suas dicas são, como podemos imaginar, sempre terríveis e praticamente o oposto do que Jojo deveria fazer de fato. A interação dos dois é divertida, com o próprio Waititi no papel do Fuhrer, o ditador se torna uma versão ridícula do nazista, assim como Charlie Chaplin fez em O Grande Ditador.

    O longa também sabe ser sério quando precisa ,e aos poucos, o garoto passa a perceber as muitas contradições, falsidades e mentiras que lhe foram contadas. Logo, Jojo passa a entender a verdade, enquanto encontra sua humanidade e entende a compaixão.

    A maioria dos filmes de Taika Waititi apresentam mensagens sobre aceitação e tolerância, algo que faz muito sentido em meio a uma história sobre fascismo e o extremismo. Até por isso, o filme é particularmente relevante atualmente, afinal, a intolerância está aumentando em todo o mundo de forma alarmante.

    Outro aspecto sério da história é o arco da mãe de Jojo, Rosie (Scarlett Johansson), que trabalha para a Resistência e esconde uma garota judia chamada Elsa nas paredes de sua casa. Quando Jojo descobre a existência dela, inicialmente vê uma oportunidade de impressionar seu herói imaginário. Mas, com medo do que poderia acontecer com sua mãe, Jojo decide interrogar Elsa e descobrir tudo o possível sobre os judeus em nome do Fuhrer.

    Alguns dos melhores momentos dos filmes estão com os coadjuvantes. Não só Scarlett , mas também Sam Rockwell, um oficial desiludido, que está lutando para aceitar a derrota iminente da Alemanha. Seu cinismo é a fonte de algumas das melhores frases do filme. E Rebel Wilson, que está excelente como Fraulein Rahm, uma mentirosa compulsiva que diz ter dado à Alemanha 18 filhos arianos, e é extremamente bitolada.

    Destaque também para Archie Yates, que interpreta Yorki - o melhor amigo de Jojo. Seu timing cômico e interpretação sincera fazem esse personagem crucial para a trama. As cenas dos dois amigos são as mais comoventes do filme, pois são apenas dois garotinhos normais tentando entender um mundo cheio de ódio.

    Mais uma vez, Taika Waititi consegue o equilíbrio certo entre comédia, tragédia e drama, o resultado é um filme muito engraçado da Segunda Guerra Mundial capaz de entregar uma mensagem incrivelmente importante sobre o momento atual do mundo. Tudo isso, sem deixar de divertir do começo ao fim.