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    JORNADA NAS ESTRELAS: NÊMESIS

    Por Celso Sabadin
    14/02/2003

    Quase quarentona, a saga Jornada nas Estrelas dá sinais de cansaço. Depois de dezenas de episódios de TV e nove longas, esta décima aventura cinematográfica da Enterprise (a quinta sob o comando da Nova Geração) mostra que os roteiristas estão precisando de mais antimatéria para seus reatores.

    Fracasso nos EUA, onde rendeu pouco mais de US$ 40 milhões (contra um custo de US$ 70 milhões), Nemesis mostra o desconfortável encontro do capitão Picard (Patrick Stewart) com um jovem clone seu (Tom Hardy, de Falcão Negro em Perigo), criado para um dia destrui-lo e substitui-lo. O confronto será inevitável e violento.

    Há alguns sinais que indicam que este poderá ser o último longa-metragem da série. O casamento - e a conseqüente mudança - do Capitão Wilker com a Conselheira Troi. A "substituição" (é melhor não dizer mais nada, para não estragar o fim do filme) do robô Data, um dos personagens mais carismáticos da nave, o brinde final... Talvez a Paramount não esteja feliz com os resultados financeiros dos longas da franquia Star Trek, que não vêm sido recebidos com muito entusiasmo, ultimamente. Ávidas por idéias cada vez mais novas e radicais, as platéias aos poucos estão abandonando a nave.

    Porém, é preciso ser justo e fazer aqui uma defesa do tão criticado Nemesis: o filme é extremamente fiel ao espírito original de toda a série e, se não é sensacional, pelo menos é digno e não insulta a inteligência dos fãs de longa data. O confronto do capitão com seu clone (pode chamar de ego), a auto-crítica, a análise das próprias fraquezas, todos estes temas sempre permearam os roteiros de Jornada nas Estrelas, desde os tempos de Kirk e Spock. Os filmes criados por Gene Roddenberry nunca se satisfizeram em apenas narrar uma aventura espacial. Pitadas de psicologia, sociologia e filosfia sempre pipocaram aqui e ali, e em todos estes itens Nemesis é fiel às orgigens da saga. Nemesis pode não ter as fortes doses de adrenalina que regem o cinema comercial dos dias de hoje, mas dá margem a uma série de assuntos que merecem ser pensados. Sim, vale lembrar que a ficção científica sempre foi um gênero "pensante", e só mais recentemente assumiu os ares e a estética de videogame que predominam atualmente. Neste sentido, Nemesis não vai decepcionar os fãs do seriado. Mas pode desagradar às platéias que se interessam mais pela pipoca que pelo filme.

    No Brasil, a distribuidora optou por tirar o nome Jornada nas Estrelas do título do filme, batizando-o simplesmente como Nemesis. Seria medo dos romulanos?


    12 de fevereiro de 2003.
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br