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    JOVENS BRUXAS - NOVA IRMANDADE

    Por Daniel Reininger
    04/11/2020

    Nos anos 90, quatro amigas buscaram autoconfiança e poder por meio da bruxaria, mas eventualmente elas se perderam em meio a assassinatos e loucura, bem diferente desse novo filme. Jovens Bruxas - Nova Irmandade não é um remake do clássico, é uma continuação que segue os passos do antecessor, mas procura encontrar sua própria história, algo digno se bem executado.

    Escrito e dirigido por Zoe Lister-Jones (Band Aid), o primeiro ato de do filme começa bem parecido com o original, com três bruxas em busca de um quarto membro para maximizar seus poderes mágicos. Quando encontram uma garota tímida, alvo de bullying dos colegas, a convencem a entrar para seu grupo de feiticeiras. Essse início pode levar os fãs do original a pensar que sabem o que vem a seguir. No entanto, as coisas seguem um caminho bem diferente do esperado.

    Frankie (Gideon Adlon), Tabby (Lovie Simone) e Lourdes (Zoey Luna) se unem à Lily (Cailee Spaeny) não porque testemunharam sua aptidão mágica, mas por simpatia à seu sofrimento, depois dela ser humilhada na aula por um atleta chamado Timmy (Nicholas Galitzine). Só depois disso elas percebem que ela possui habilidades úteis para elas.

    Diferente do original, as protagonistas não são as cruéis ou egoístas e essa diferença fundamental na motivação muda completamente o longa para melhor. Tanto que uma de suas magias foca em transformar o agressor de Lili em uma pessoa melhor, o que faz de Timmy um membro do grupo.

    O Legado prova ser mais inclusivo em todos os aspectos e isso é um importante ponto positivo para o longa, mas a diretora passa mais tempo desenvolvendo Lily e Timmy do que os outros personagens e, infelizmente, as outras meninas não passam de coadjuvantes, uma grande perda para a narrativa.

    Tudo piora na segunda metade, logo após uma bela cena de revelação de Timmy, recebida com apoio pelas garotas. Apesar desse momento incrível, é a partir daí que a trama passa por reviravoltas sem sentido, que afetam todo o grupo, especialmente Lili, e a história se perde de forma absurda.

    Introduzindo um antagonista terrível, percebemos que o mundo da magia é bem maior do que se pensava e a trama ganha em relevância política e social. No entanto, a execução dessa nova história é péssima, cheia de atuações caricatas e o final é muito sem graça. Tudo é truncado e a necessidade de fazer esse filme ter classificação indicativa baixa deixa tudo ainda pior.

    A primeira metade de Jovens Bruxas - Nova Irmandade é ótima. Lister-Jones consegue trazer de volta a magia do original e introduzir questões sociais e garantir inclusão. É um prazer acompanhar as meninas enfrentando as forças do mal e a misoginia. Só que a obrigação de incluir um vilão estraga a narrativa e atrapalha a até então gratificante história de amizade. A ligação com o original não é nada sutil e fica óbvia a intenção de iniciar uma franquia a partir daí. Resta saber se os próximos filmes serão capazes de manter a qualidade do começo ao fim.