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    JUAN E A BAILARINA

    Estreia de Raphael Aguinaga na direção, longa infantiliza terceira idade com humor de gosto duvidoso<br />
    Por Cristina Tavelin
    09/04/2013

    Não se deixe enganar pelo título aparentemente delicado de Juan e a Bailarina. Apesar dele, estamos diante de uma obra grotesca, que infantiliza o idoso e faz pouco caso da Inteligência do espectador. Escrito, dirigido e produzido por Raphael Aguinaga, o filme marca sua estreia pouco favorável em longas-metragens.

    A sinopse já alerta para a bomba que teremos em mãos. Um grupo de pessoas vive em uma casa de repouso e tem a rotina abalada quando a enfermeira sai de férias e deixa o filho irresponsável em seu lugar.

    Juan é um deles e vive trancado no quarto, destilando bebidas de forma caseira - sem que ninguém perceba, claro. A Bailarina seria sua falecida mulher, com a qual dança em pensamento enquanto ouve música todas as noites. Ele só tem o desejo de sair quando Alice chega à moradia, abandonada pela nora após a morte do filho.

    O acontecimento que entretém o grupo durante o filme é o aparecimento de um suposto Jesus Cristo, de volta à vida por meio da clonagem do original. Não bastasse isso, o clone arruma uma noiva com HIV e mobiliza cientistas do mundo inteiro para encontrar a cura da doença. A ideia não causa o choque desejado; talvez, apenas pela criatividade pretensiosa indo por água abaixo.

    O longa deve ter mais duas sequências para fechar uma trilogia. A próxima se passará no mesmo período de tempo deste primeiro, só que na perspectiva do novo messias. Talvez ganhe um ar mais interessante.

    Na tentativa de fazer rir, a trama cai em um humor de gosto duvidoso. Parece se passar dentro de uma creche, mostrando as aventuras de crianças quando a babá tira férias. É certo que a palavra clichê já se tornou lugar comum para contextualizar um filme, mas fica difícil fugir dela. Juan e a Bailarina se veste de mesmice para tentar cobrir um roteiro medíocre.

    Apesar do circo de horrores montado, a produção tem dois aspectos positivos: um belo trabalho de fotografia, que faz transparecer a poeira e a nostalgia da casa de repouso, e as boas atuações dos protagonistas Arturo Goetz (Juan) e Marilu Marini (Alice). Mas, no geral, os personagens são rasos, quase caricaturas do que a sociedade atual - tão fascinada pela juventude eterna - espera ver em um idoso.

    Além disso, a falta de atenção com os detalhes contribui para destruir a trama. Em determinada cena, o filho da enfermeira - apelidado de Bruxa - toma três comprimidos de êxtase e fica ouvindo música no carro antes de dormir horas a fio. Alguém deve ter enganado o dito malandro com uma droga tão fraca.

    A sequência final serve para arrematar, condensar todo o mau gosto em uma única passagem. Lembrando que o longa foi coproduzido por Brasil e Argentina. Desta vez, nem adianta culpar os hermanos...