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    JUNHO: O MÊS QUE ABALOU O BRASIL

    Doc traz bom relato histórico, mas falta ousadia na forma
    Por Gustavo Assumpção
    02/06/2014

    Junho é um documentário oportuno. Há um ano, as ruas das principais cidades brasileiras foram tomadas por pessoas de todas as idades, origens e pensamentos ideológicos na maior série de protestos da história do Brasil. Aqui, está uma tentativa de ajudar a compreendê-los.

    Produzido pelo jornal Folha de S. Paulo e ancorado na experiência do seu diretor – João Wainer é fotojornalista há quase vinte anos e documentarista com relativa experiência – Junho traz um retrato factual e cronológico de boa parte dessas manifestações populares. 

    Nomes como Bruno Torturra, da Mídia Ninja, a militante e socióloga Elena Judensnaider e da jornalista da Folha Giuliana Vallone, agredida com uma bala de borracha no olho, ajudam nesse percurso, criando um relato de experiência interessante, mas por vezes inocente. 

    A linha do tempo traçada aqui mostra os primeiros protestos contra o aumento da tarifa de ônibus, a repressão policial, a extensão das manifestações para outras cidades, tudo recontado com a ajuda do acervo de imagens do jornal e sequências já utilizadas pelo TV Folha, programa exibido por dois anos pela TV Cultura.

    Junho se aproveita da pluralidade que caracteriza o próprio jornal para colocar em meio ao registro histórico uma tentativa de interpretação dos fatos. Para isso, o documentário faz uso da opinião de seu grupo de articulistas e colunistas. Demétrio Magnoli, Vladimir Sefatle, Luiz Felipe Pondé, Leonardo Sakamoto e Juca Kfouri estão entre os convidados nesta tentativa de ressignificar os movimentos.

    É nesse momento que o documentário cresce: há boas reflexões, como quando Pondé afirma que os protestos foram caracterizados pela ausência de formação política dos manifestantes, mas a quantidade exagerada de entrevistados prejudica uma explicação mais completa. 

    Junho carece de maior desenvolvimento, maturação e de uma narrativa menos óbvia - o tom documental é muito tradicional e sem ousadias. Ao fim, a sensação é de que como relato jornalístico o documentário cumpriu seu objetivo. No mais, poderia ter ido além.