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    JUNO

    Por Angélica Bito
    22/02/2008

    Gravidez na adolescência é sempre um tópico complicado de se discutir, seja em mesas de bares ou em filmes. Tudo é sempre visto de forma muito difícil, complicada, e o debate sobre a questão do aborto traz sempre uma pitada de discussão a mais. A comédia indie Juno, no entanto, torna-se diferente ao abordar a complicada questão da gravidez precoce ao passar longe da complicação.

    A sensacional Ellen Page interpreta a Juno do título. Aos 16 anos, sem muita experiência sexual, ela engravida do amigo Bleeker (Michael Cera, de Superbad - É Hoje). Mas ela encara muito bem todos os dramas que podem aparecer na vida de uma jovem grávida. Ela sabe que não adianta muito fugir da questão. Ela é tão decidida que, às vezes, tem-se a impressão de que tudo foi planejado. Depois de contar ao compreensivo pai (J.K. Simmons) sobre o "acidente", ela resolve procurar os pais perfeitos para a criança. Nada de aborto (afinal, fetos têm até unhas, como uma personagem diz em dado momento da história): ela quer ter o bebê e entregá-lo para que pessoas mais aptas o criem. Juno sabe muito bem que não tem condições emocionais para esta tarefa. Eis que ela conhece Vanessa (Jennifer Garner) e Mark (Jason Bateman), um belo e aparentemente bem-sucedido casal que se anima com a adoção.

    Tudo isso entrecortado por uma trilha sonora belíssima, que dá um sentido todo indie ao longa. É a música que dá a "liga" ao relacionamento de Juno e Mark, um compositor de jingles fã de Melvins e Sonic Youth. As canções também ligam Bleeker a Juno de uma forma tão bela que é difícil não ficar com o coração apertado de emoção na última cena (na qual os dois cantam juntos uma música do Moldy Peaches), especialmente se você é como eu e dá uma importância maior do que os seres humanos normais à música e ao cinema (já que estamos falando do mesmo assunto neste momento). A trilha é composta, basicamente, pelas canções folk de Kimya Dawson (que costumava ser da banda Moldy Peaches), mas também traz algumas doces composições dos escoceses do Belle & Sebastian e Cat Power, numa cena de encher os olhos d'água.

    O roteiro de Juno, escrito pela estreante Diablo Cody, é dinâmico, formado por diálogos certeiros. Na interpretação de Ellen Page - confirmando o talento que havia mostrando em Menina Má.com -, torna-se mais rico e atraente ainda, definindo a alma desta comédia. A forma como a protagonista amadurece e conhece o mundo dos adultos por obrigação depois que fica grávida é sutil, porém mostrada de forma bem segura. Jason Reitman confirma que sabe dirigir histórias comicamente cínicas após Obrigado por Fumar e é exatamente essas questões que permeiam o filme: o cinismo como a situação é encarada e o humor inteligente e sarcástico que dão base às situações do filme. Ao mesmo tempo, existe uma sinceridade única na construção dos personagens, sempre muito verossímeis e honestos.