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    JUNTOS E MISTURADOS

    Adam Sandler repete humor ofensivo e estereotipado
    Por Gustavo Assumpção
    16/07/2014

    Sentar em uma poltrona para assistir a um filme com Adam Sandler é uma atividade que exige certo desprendimento. Talvez isso seja necessário porque nos últimos tempos seu trabalho tenha se segurado mais em sua inexplicável conexão com o público do que na qualidade das produções estreladas pelo ator.

    Juntos E Misturados, que repete a parceria de Sandler com Frank Coraci (eles já trabalharam juntos em outras três oportunidades, O Rei Da Água, Afinado No Amor e Click), é mais uma dessas comédias controversas. Além do costumeiro humor caricato, quase infantil, o longa se apoia em uma visão estereotipada de gênero, talvez inspriada por sitcons fracassadas dos anos 90.

    Na trama, Adam Sandler é Jim, o típico cara idiota e intelectualmente desfavorecido, algo que o ator já interpretou em tantas oportunidades. Drew Barrymore é Lauren, a mulher à beira de um ataque de nervos, uma bomba de hormônios prestes a explodir. Em comum o fato de ambos criarem seus filhos sozinhos.

    Após várias situações bizarras, incluindo um encontro às cegas frustrado, o longa coloca o casal e suas famílias para dividir um resort na África. É aí que o roteiro constrói uma série de personagens de maneira agressiva: a menina com visual masculino ridicularizada, o africano bonachão e sorridente, o adolescente ávido por masturbação e por aí vai.

    Sem decidir se é uma comédia romântica ou um besteirol, o filme mescla situações dos mais diversos tipos, alternando momentos de gosto duvidoso e sequências dramáticas rasas como uma novela das oito ruim. Juntos e Misturados nunca é engraçado o suficiente para fazer rir e nem profundo o necessário para emocionar. Ou você acha possível rir de rinocerantes transando e de uma garota chamada ESPN?

    Sandler e o diretor parecem ter perdido uma oportunidade para discutir assuntos mais pertinentes, mas preferem se apegar a um retrato raso de seus personagens. A atuação de Drew Berrymore acaba sendo o único ponto realmente positivo do longa, principalmente porque a atriz se esforça para fugir da construção barata que os roteiristas fizeram de uma mãe solteira vítima de traição.  

    Juntos e Misturados é o típico filme que pode se transformar em um programa familiar de domingo, mas acho que você pode fazer algo melhor da vida do que experimentar duas horas de um humor ofensivo, preconceituoso e que parece perfeito para um público que não questiona mininamente aquilo que assiste. Acho que você não quer ser uma dessas pessoas, certo?