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    JURASSIC PARK 3

    Por Celso Sabadin
    20/07/2001

    É preciso deixar claro que – de uma maneira muito básica e geral – existem dois tipos de filmes: (1) aquele que tem uma história para contar e (2) aquele que tem uma tecnologia para mostrar. Eventualmente, um filme pode reunir estas duas características básicas, mas é difícil.

    Para evitar desapontamentos, o espectador prevenido deve se informar, antes de investir seus preciosos R$ 10 na bilheteria, sobre o filme que ele pretende ver. Pessoas que gostam de conteúdo muitas vezes saem reclamando do cinema por terem visto apenas um showroom de efeitos especiais. Da mesma forma, pessoas que só curtem a tecnologia do cinema muitas vezes saem reclamando porque tiveram de prestar atenção ao roteiro.

    Então, é bom deixar claro Jurassic Park III se encaixa na categoria número 2, ou seja, é um filme que tem uma tecnologia para mostrar. E que tecnologia é essa? A dos novos softwares da Industrial Light and Magic, que permitiram o desenvolvimento visual dos pteranodontes ou pterodátilos, aqueles dinossauros voadores parecidos com grandes pássaros. Essa é a grande novidade deste terceiro episódio, em relação aos dois primeiros. Todo o resto tem sabor de “já vi este filme antes”: corre-corre, monstros pra lá e pra cá (desta vez Spielberg apresenta um epinossauro, quatro metros maior que o já batido T-Rex), pessoas sendo salvas no último segundo e a óbvia trilha sonora assinada por Don Davis e John Williams.

    Desta vez, Spielberg apenas produz e não dirige o filme. A tarefa ficou para Joe Johnston, o mesmo de Jumanji. Agora, a ilha dos dinossauros só pode ser avistada do alto, por meio de passeios aéreos. Mas nem é preciso dizer que um avião vai parar no chão, causando novamente todo aquela correria entre humanos e dinossauros, já vista nos filmes anteriores.

    Do elenco antigo, Sam Neil retorna ao papel do paleontólogo Alan Grant. E o sempre bem-vindo William H. Macy mais uma vez rouba a cena.

    Muito pouco para os US$ 90 milhões investidos na produção. Muito pouco para justificar a lambança da United International Pictures aqui no Brasil, que provocou um mal-estar entre os jornalistas ao propor que todos assinassem um termo se comprometendo a não publicar suas críticas antes de 19 de julho. Particularmente, preferi ver o filme numa das pré-estréias pagas, para não compactuar com este tipo de embaraço. Alguém precisa avisar os executivos da UIP lá nos EUA que faz um tempão que a ditadura acabou aqui do lado debaixo do Equador e que a liberdade de expressão impera por aqui, caso eles não saibam.

    19 de julho de 2001
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Televisão, Canal 21, Band News e Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br