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    JUSTIÇA

    Por Angélica Bito
    22/05/2009

    Você já quis ser uma mosquinha dentro de uma sala para saber o que se passa ali dentro? Pois é isso que Maria Augusta Ramos deve ter desejado quando pensou em fazer o documentário Justiça. Roteirista e diretora, Maria Augusta entra na onda de filmes como Carandiru e O Prisioneiro da Grade de Ferro e mostra como a lei é cumprida no Brasil. Só que seu enfoque não é o Sistema Penitenciário, como os outros filmes citados, mas sim o Poder Judiciário. Infiltrando-se no Tribunal de Justiça no Rio de Janeiro, a diretora pousa suas lentes em julgamentos, acompanha personagens de ambos os lados da lei - defesa e acusação - e nos mostra como a lei funciona no País.

    A diretora escolheu cinco personagens para "seguir" a fim de mostrar os lados do Poder Judiciário: Fátima Maria Clemente e Geraldo Luiz Mascarenhas Prado são Juízes; Carlos Eduardo e Alan Wagner são dois jovens que estão sendo julgados; Maria Ignez Kato é defensora pública. Esses protagonistas e as pessoas que os rodeiam ajudam Maria Augusta a mostrar a lentidão e o descaso, em algumas vezes, que conduzem os processos e como algumas leis são tão ultrapassadas.

    Não há depoimentos e a câmera é estática na maioria das cenas, o que faz com que Justiça seja um documentário frio, distante. Sua câmera é como se fosse um inseto imperceptível, porém observador: olha e não interage. O que não poderia ser diferente. Afinal, ao filmar tema tão passível de pré-julgamentos, a diretora somente apresenta o que observou através de suas lentes para que o espectador tire suas próprias conclusões.

    Para aqueles que estão acostumados a ver os "filmes de tribunal" que Hollywood tanto produz, eis um choque de realidade: aqui, platéias não acompanham os julgamentos, não há discursos inflamados de advogados escrupulosos e promotores de terno e gravata, os julgamentos acontecem em salas minúsculas. O ineditismo da proposta de Maria Augusta acaba tornando o filme mais interessante ainda. Sim, todos sabemos que a Justiça é lenta - tanto que isso se tornou praticamente um clichê -, mas pouco vemos essa tal lentidão no cinema brasileiro. Justiça não se preocupa em emocionar, em criar revolta ou mesmo ter um começo, meio e fim. O objetivo desse documentário é simplesmente mostrar que a Justiça não é isenta. Sem pré-julgamentos, sem vilões, sem manipulação, sem emoções baratas. Para, pelo menos, tentar ser menos parcial do que o objeto que filma.