cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • GAMES
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    JUSTIN BIEBER: NEVER SAY NEVER

    Documentário é mera peça de propaganda do astro <em>teen</em> canadense<br />
    Por Heitor Augusto
    23/02/2011
    Justin Bieber: Never Say Never é um símbolo dos nossos tempos acelerados. Crianças viram adultos da noite para o dia, aspirantes a artistas tornam-se estrelas fugazes. A indústria do entretenimento quer tudo agora, neste momento. Aí se encaixa esse documentário: peça de promoção de um artista pop que acabou de surgir como tal e já se tornou digno, no conceito da indústria, de ter um documentário a seu respeito com tom hipócrita de saga do menino da cidade pequena que conquistou todo mundo da cidade grande.

    Por exemplo, demorou onze anos para a canadense The Band ganhar um filme, O Último Concerto de Rock, feito por Scorsese em 1978, que registrou uma performance antológica. Para Bieber, bastaram dois anos, desde que foi descoberto por Scooter Braun. Justin Bieber: Never Say Never não é um filme-tributo, mas uma peça de propaganda que reitera aos fãs que Bieber é maravilhoso e, de quebra, ainda tenta captar aqueles que não simpatizam com o cantor, apresentando um pedaço de sua história e sua longa “batalha”.

    Jon Chu (Ela Dança, Eu Danço 3) filmou em 3D um show de Bieber no Madison Square Garden, mesma casa pela qual passou Michael Jackson no concerto comemorativo de 30 anos de carreira em 2001. As imagens ao vivo são intercaladas por vídeos caseiros quando o cantor adolescente ainda buscava seu quinhão na música.

    A sorte é que o menino canadense de 16 anos é carismático, claramente apaixonado pelo que faz e tem talento, especialmente se for comparado com a quantidade de lixo lançado anualmente na música pop. Sua personalidade torna menos penoso, para quem não compartilha da Bieber fever, assistir ao documentário, cujas transições dos trechos ao vivo com imagens de arquivo e atmosfera de bastidores são confusas.

    Olhar com o mínimo de distância para Justin Bieber: Never Say Never é perceber que se trata meramente de um produto a ser encaixado na engrenagem da indústria do entretenimento, criando aquela “obrigação” de, gostando ou não gostando, uma pessoa deve saber que Bieber existe, que cantou tal música com o filho do Will Smith, que foi apadrinhado pelo Usher etc. Aquele método de fazer com que se comente o produto, tornando-o onipresente. Sairão microcomentários no Twitter xingando ou louvando Bieber, posts no Facebook e, pronto, o filme conseguiu seu intuito: existir, mesmo que desimportante para o cinema. Até se escreverá uma crítica sobre ele!

    Em vez de filme, dá para chamar Justin Bieber: Never Say Never de conteúdo audiovisual, peça publicitária que está a milhões de léguas da intenção de ser uma narrativa cinematográfica digna, seja ela com pretensões mais comerciais ou não. Tanto que esse conteúdo chega no momento que Antonio “L.A.” Reid, manager do cantor, consegue encaixá-lo em participações no Saturday Night Live e C.S.I., aproveita todas as possibilidades virais da internet e consolida os mais de 100 produtos que levam a marca do cantor.

    Produto, produto, produto... no final das contas, deveríamos mesmo gastar linhas com Justin Bieber: Never Say Never?