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    KICK-ASS 2

    Falta de carisma e clichês atrapalham sequência
    Por Daniel Reininger
    17/10/2013

    Depois do sucesso de 2010, uma legião de fãs passou a cultuar Kick-Ass como obra subversiva do universo dos super-heróis. Considerada paródia inteligente e plausível sobre pessoas fantasiadas lutando por justiça no mundo real, o longa faturou US$ 96 milhões nas bilheterias dos Estados Unidos e a sequência era algo certo. Infelizmente, sem a direção de Matthew Vaughn (X-men: Primeira Classe), o filme se perde e deixa muito a desejar.

    Quem assumiu a franquia foi o diretor e roteirista Jeff Wadlow (Quebrando Regras), que resolve misturar as HQs Kick-Ass 2 e Hit Girl para mostrar a evolução dos personagens do primeiro filme, pesando a violência e esquecendo a carga emocional.

    Desta vez, os protagonistas vividos por Aaron Taylor-Johnson e Chloe Grace Moretz estão dando um tempo da vida de heróis enquanto Chris D'Amico (Christopher Mintz-Plasse), conhecido como Red Mist no filme anterior, assume a identidade do vilão Motherfucker. Para variar, o inimigo tem um único objetivo em sua vida: recrutar um exército para matar o protagonista e vingar seu pai. Ou seja, a história é bem padrão para sequências do gênero.

    Todo o elenco cresceu, mas isso não significa que amadureceu. Mintz-Plasse não consegue ser o antagonista cruel que a série precisava e Taylor-Johnson continua com a mesma personalidade desinteressante e, desta vez, é ofuscado ainda mais pelos coadjuvantes. Apenas Chloe Moretz se destaca no papel de Hit Girl. Aliás, já era hora dela ter seu próprio filme. A garota agora é uma adolescente que enfrenta problemas na escola e é movida pelo senso de justiça distorcido passado pelo seu pai. Ao mesmo tempo, tenta se encontrar como pessoa, enquanto se adapta à nova vida sob a tutela do detetive Marcus Williams, um velho amigo da família.

    Os três não são os únicos fantasiados da vez. Os eventos de Kick-ass - Quebrando Tudo ajudaram a ampliar o movimento de super-heróis em Nova York. Centenas de pessoas decidem sair do conforto de suas casas, vestir colantes e lutar por justiça. O personagem mais interessante é o ex-mafioso que virou cristão e atende pelo nome Coronel Estrelas e Listras (Jim Carrey), que sai às ruas ao lado de seu fiel ajudante Eisenhower. Por sinal, o comediante rouba a cena em seus poucos momentos na tela.

    É exatamente o humor praticado por Carrey que funciona. Entretanto, quando o longa tenta forçar as risadas, baixa o nível e se perde. Momentos como a vingança de Hit-Girl contra as garotas da escola são desnecessários e desconstroem a imagem anárquica do filme.  Além disso, ofuscam a mensagem implícita sobre como as pessoas usam máscaras para esconder traumas e como é difícil a transição para a vida adulta, na qual todos enfrentamos uma luta interna entre fantasia e realidade.

    O discurso subversivo da franquia se perde de vez conforme a trama se aproxima do confronto final. O longa, então, se resume à simples questão de mocinhos contra bandidos decidindo quem está certo na base da porrada. Pior, Kick-Ass 2 não consegue ser realista, como Poder Sem Limites, nem exagerado como Os Vingadores; como consequência, não diverte nem impressiona tanto quanto o original.

    Embora a brutalidade faça parte da franquia, Wadlow falhou ao tentar repetir a fórmula do primeiro filme, cuja inspiração é a violência estilizada à la Tarantino. O resultado é algo exagerado e pouco divertido. Além disso, clichês e momentos monótonos também não ajudam a narrativa. No final das contas, quem gosta dos personagens terá mais chances de curtir Kick-Ass 2. Mas, infelizmente, quem deixou para conhecer a série por esta sequência, fez uma péssima escolha.