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    KILL BILL: VOL. 1

    Por Roberto Guerra
    22/05/2009

    Quero começar minha crítica ao filme Kill Bill Vol. 1 citando um trecho da coluna desta semana de meu colega de Cineclick Celso Sabadin: "Neste momento de extrema ansiedade coletiva que vivemos nos últimos anos, Tarantino foi elevado à condição de "reinventor" do cinema, antes mesmo de ter construído uma obra cinematográfica. O Celso tem razão. Existe uma certa idolatria exagerada da mídia a Tarantino. Não nego que seus filmes são bons, bem dirigidos, interessantes de se ver e tal. Mas elevá-lo à condição de gênio da cinematografia atual é um pouco demais.

    Como bem disse o Celso, o Tarantino "genial e inovador" é fruto de uma sociedade ansiosa e desesperada por se reinventar a todo momento. Talvez nem ele leve muito a sério as elucubrações da imprensa a respeito de seu talento "incomensurável". O diretor de Cães de Aluguel e Pulp Fiction, na verdade, não pode ser considerado mais do que um exemplo bem-sucedido de como administrar em proveito próprio o excesso de referências e informações aos quais todos estamos expostos hoje em dia. Suas produções são colchas de retalhos, colagens cinematográficas - muito bem realizadas, diga-se. E aqui reside o verdadeiro mérito do diretor: ele, como poucos, consegue fazer um filme e pontuá-lo de inúmeras referências sem se perder, sem transformar tudo numa grande confusão sem pé nem cabeça.

    Kill Bill Vol. 1, que chega aos cinemas brasileiros este fim de semana, ratifica esta capacidade de Tarantino. Na tela, o que se vê é uma mescla bem azeitada das preferências cinematográficas do diretor, que vão dos longas de artes marciais das décadas de 60 e 70, passando pelos spaghetti westerns, filmes de samurais e animes japoneses. Tudo pontuado aqui e ali de um sem-número de referências à cultura pop.

    A história (ao assistir, não perca tempo em analisar coisas inúteis como a profundidade do roteiro, coerência lógica etc.) é centrada na personagem interpretada por Uma Thurman (linda na tela), uma noiva grávida que escapa milagrosamente de uma chacina promovida no dia de seu casamento. Os assassinos são seus ex-colegas, integrantes de uma gangue sugestivamente chamada de "Víboras Mortais", liderada pelo Bill (David Carradine) do título. Depois de ficar quatro anos em coma, ela resolve sair em busca de vingança. Daí em diante, o que se vê na tela são cabeças sendo decepadas a golpes de espadas e sangue, litros de sangue espirrando para todos os lados. Mas Kill Bill não é um filme violento. As situações são tão exageradas que não dá para levá-las a sério.

    Discussões sobre a suposta genialidade de Tarantino de lado, o que não se pode negar é que ele mostra-se um diretor competente ao unir todos esses estilos e referências, refazendo as peculiaridades cinematográficas de cada gênero e divertindo o espectador.

    Vale cada centavo do ingresso.