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    KILLER JOE - MATADOR DE ALUGUEL

    Humor negro e violência dão o tom em um dos filmes mais incômodos já feitos pelo diretor de O Exorcista.<br />
    Por Daniel Reininger
    05/03/2013

    William Friedkin, diretor de O Exorcista, prova com Killer Joe - Matador de Aluguel que ainda sabe como chocar sua audiência. Seu filme noir ambientado no Texas dos dias atuais é uma visão ultrajante e violenta do sul dos Estados Unidos e um dos trabalhos mais incômodos do diretor de 77 anos.

    O tal Joe do título é Matthew McConaughey, excepcional no papel de um detetive corrupto que faz bico como assassino de aluguel nas horas vagas. Ele é contratado por Chris Smith, jovem que tem uma divida com traficantes e decide matar sua mãe para conseguir o dinheiro do seguro de vida. Para isso, pede ajuda de seu pai, que decide entrar no rolo. Chris só não quer sua irmã Dottie (Juno Temple) a par do plano, porém Joe só aceita o trabalho com a condição de ter uma noite a sós com a mocinha.

    O roteiro, baseado na peça escrita por Tyler Bates, é simples e começa como uma comédia de humor negro sobre os estereótipos do sul dos EUA. Entretanto, aos poucos a transformação visceral do personagem de McConaughey deixa tudo sombrio e tenso. Logo, o filme se torna um conto de violência e opressão, sem abandonar o tom de sátira.

    O elenco é crucial para manter o equilíbrio entre comédia e drama. McConaughey banca o típico policial corrupto e sedutor que aos poucos se revela como psicopata perverso e doentio. Haden Church rouba a cena no papel do pai idiota e omisso e Gina Gershon manda muito bem como a sensual madrasta Sharla Smith. Apenas Juno Temple deixa a desejar, pois não consegue esconder sua sensualidade e não convence como ingênua garota que aparenta ter alguma forma de autismo.

    Conforme a trama se aprofunda, Dottie se torna o centro do filme e um simples objeto à mercê da vontade de Joe, diante da passividade de seu pai e madrasta. Seu irmão é o único que, de forma distorcida, tenta defender sua honra. Quando toda a tensão criada chega ao ponto crítico, o filme explode em caos. Um show de violência que escancara quanto horror pode ser infligido pelo ser humano.

    A fotografia criada por Caleb Deschanel, mesmo de O Patriota, procura mostrar como a integridade daquela família está prestes a desabar. Tudo é muito escuro, com sombras predominantes graças à iluminação indireta; isso deixa os ambientes sufocantes, principalmente dentro do trailer dos Smiths. Repare no jogo de luz e câmera na cena em que um frango frito é usado de uma forma nada convencional.

    Com seus personagens perturbados e situações grotescas, Killer Joe deixa claro que ninguém é verdadeiramente inocente - nem mesmo a virginal Dottie. Em meio a muito humor negro, é impossível não refletir sobre a violência como algo inerente ao ser humano, reflexo de um mundo sem moral, no qual o medo das consequências e a falsa sensação de segurança são os únicos fatores que nos mantém no limite da selvageria.