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    KUNG FU PANDA 2

    Na continuação, que repete clichês dos filmes de ação, Po vai buscar suas origens e família<br />
    Por Heitor Augusto
    09/06/2011

    Quando se trata de uma produção com traços originais e potencial de se tornar franquia, ter bom desempenho nas bilheterias é uma faca de dois gumes. Numa continuação, como manter o frescor e proporcionar o prazer pelo inesperado em quem assiste? Algumas produções sucumbem não no resultado financeiro, mas na cara de pau de não almejar a surpresa como meta e repetir uma fórmula que deu certo – leia-se Se Beber, Não Case! Parte II. Ao lado dos beberrões de Todd Philips, Kung Fu Panda 2 é um exemplo de filme que sofre da síndrome da continuação.

    Em 2008, a DreamWorks virou para o mundo e disse: vocês vão ver um panda falante praticando a suprema arte marcial chinesa e, melhor, não sentirão estranheza. E tem mais: o bando terá uma Tigresa, Garça, Louva-a-Deus, Macaco e Víbora. Em 2011, quando essa história já se tornou realidade, o pasmo já foi embora e naturalmente o filme perde um pouco do encanto.

    Ainda mais quando o enredo repete os mais variados clichês de filmes de ação dos últimos quarenta anos: o heroi que tem de descobrir uma verdade recôndita que justifica todo filme; um parceiro muito mais forte que o protagonista, mas sem o mesmo carisma ou a gana pela superação; a motivação final na batalha de encerramento que renova as esperanças de derrotar o vilão (geralmente, com o ferimento ou morte de alguém próximo e querido); o vilão que finge aceitar a derrota para, num ato traiçoeiro, trapacear (por exemplo: jogar areia no olho do heroi).

    Mas o que mantém Kung Fu Panda 2 como um filme médio e entretenimento descompromissado para toda a família? A qualidade da tecnologia de animação (filmada num scope muito interessante que privilegia movimentos horizontais e profundidade de campo) e a verve cômica do protagonista. Dublado por Jack Black na versão original e Lúcio Mauro Filho na brasileira, Po, o panda, continua engraçado, especialmente por ocupar um lugar que, aparentemente, não seria seu: o de Dragão Guerreiro.

    Na sequência, Panda já está na liderança dos Cinco Furiosos, mas tem uma página de sua vida em aberto. Por que ele é um urso e seu pai um ganso? Numa válida mensagem para as crianças sobre a diferença, o personagem questiona: “Quem sou eu?”. Feliz de quem consegue, ao longo de sua existência, encontrar respostas para essa pergunta, pois é um sentimento magnífico. Em busca do seu próprio eu e raízes desconhecidas que Po vai tentar derrotar Lord Shen, um pavão que construiu uma arma letal que ameaça a sobrevivência do kung fu.

    A DreamWorks Animation ainda não conseguiu chegar ao mesmo nível de Shrek, primeira animação da empresa de Spielberg, Katzenberg e Geffen, ou, mais recentemente, Como Treinar Seu Dragão. Tecnicamente, vai tudo bem, obrigado, e os produtores decidem assumir riscos. Agora, quando se trata de enredo, a previsibilidade reina, como é o caso de Kung Fu Panda 2.