Kung Fu Panda 3

KUNG FU PANDA 3

(Kung Fu Panda 3)

2016 , 95 MIN.

Gênero: Animação

Estréia: 03/03/2016

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Alessandro Carloni, Jennifer Yuh

    Equipe técnica

    Roteiro: Gleen Berger, Jonathan Aibel

    Produção: Melissa Cobb

    Trilha Sonora: Hans Zimmer

    Estúdio: DreamWorks Animation, Oriental DreamWorks

    Montador: Clare De Chenu

    Distribuidora: Fox Film

    Elenco

    Angelina Jolie, Bryan Cranston, David Cross, Dustin Hoffman, Jack Black, Jackie Chan, James Hong, Kate Hudson, Lucy Liu, Rebel Wilson, Seth Rogen, Stephen Kearin

  • Crítica

    02/03/2016 15h00

    Por Daniel Reininger

    Sequências de animação costumam decepcionar. Afinal, como manter o nível do bom primeiro filme e proporcionar algo inesperado a quem assiste, se a obra se tornou parte de uma franquia, mesmo quando não era para ser o caso?

    Essa dúvida permeia diversas sequências, tanto que Kung Fu Panda 2 foi incapaz de ir além da ação e humor do original e ainda apresentou uma história básica e cheia de clichês. O mesmo acontece com Kung Fu Panda 3, que mostra como o urso Po (Jack Black) vira uma lenda, mas comete os mesmo erros do anterior e ainda infantiliza demais seu público.

    A trama da DreamWorks com um panda falante mestre em artes marciais e seus amigos, Tigresa, Garça, Louva-a-deus, Macaco e Víbora, representando os estilos do Kung-Fu, foi bem criativa no primeiro momento, mas a graça já passou e era preciso ir além para manter as coisas realmente interessantes.

    No primeiro filme, Po aprende a lutar e se torna um herói, no segundo, aprimora suas habilidades e no terceiro se torna um professor, reencontra seu pai perdido e enfrenta um vilão sobrenatural chamado Kai, que captura o chi, espécie de força vital, de cada mestre do Kung Fu para se tornar o maior de todos. Basicamente, nada mudou, só o nível de poder do protagonista e o drama pessoal de sua vida.

    O filme tem ótimos momentos de luta, alguns diálogos bem montados, mas sempre que as coisas vão bem, a dupla de diretores, Jennifer Yuh Nelson e Alessandro Carloni, resolvem infantilizar a cena, colocar uma piadinha fora de hora e abusar de algum clichê ou algum estereótipo, elementos desnecessários que sempre aparecem para estragar o momento.

    Sem surpresa, os raros risos vêm do protagonista, com suas expressões emotivas e piadinhas, que nem sempre funcionam para adultos, mas devem ganhar as crianças. Como Po enfrenta muitos dos mesmos desafios que já superou em Kung Fu Panda 1 e 2, algumas cenas são bem parecidas, o que tira boa parte da diversão e deixa as coisas repetitivas ainda mais rapidamente.

    Além disso, os parceiros de Po perdem ainda mais espaço, apesar de eles terem missões próprias dessa vez. O problema é que mesmo quando eles são o foco da ação, as cenas são curtas e os diálogos quase inexistentes, o que nos faz questionar o motivo de tantos grandes nomes estarem por trás da dublagem norte-americana, como Angelina Jolie, se os personagens mal serão utilizados.

    Apesar do mestre Frango e da Panda Mei Mei serem boas adições, a novidade mais notável é Bryan Cranston (Breaking Bad) como voz do pai biológico de Po, Li Shang, que basicamente age como Po, só que é mais velho, e garante bons momentos ao interagir com o pai adotivo do Panda, o ganso Sr. Ping (James Hong). Como nos últimos dois filmes, a dinâmica familiar é importante para a narrativa, assim como o vilão é amedrontador para crianças e as cenas de luta bem feitas – ou seja, nada foge do padrão.

    Dito isso, visualmente esse é o longa mais bonito da franquia, com animação de primeira linha, cenários e personagens criativos e bem feitos. Além de ser o mais estilizado: enquanto os anteriores sempre tentaram incorporar elementos desenhados à mão, o novo filme faz isso de maneira ainda melhor, inclusive durante as cenas de ação, as quais sempre são bem construídas e coloridas. A trilha sonora de Hans Zimmer (Batman - O Cavaleiro Das Trevas) ajuda a manter as coisas interessantes do ponto de vista técnico. A batalha final é especialmente bem executada, pena, de novo, ser estragada por piadinhas fora de hora.

    Diferente de Kung Fu Panda 2, que deixou gancho para o próximo capítulo da série, KFP 3 definitivamente parece ser o fim da trilogia ao encerrar a história do Dragão Guerreiro. A mensagem central da série se mantém a mesma: "Seja o melhor possível" e as crianças devem gostar das cenas animadas e mensagens positivistas. Basicamente, quem já curte os dois primeiros longas, certamente vai amar essa terceira parte, mas quem acha que o segundo filme já foi incapaz de manter o bom nível do original, deve sentir o mesmo aqui.

    A boa notícia para os pais é que acompanhar os filhos no cinema para ver essa obra está longe de ser algo chato, o que é mais do que podemos dizer de boa parte das animações lançadas nos últimos anos.



Deixe seu comentário
comments powered by Disqus