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    LADY CHATTERLEY

    Por Angélica Bito
    23/11/2007

    Adaptação do aclamado romance O Amante de Lady Chatterley, de D. H. Lawrence, Lady Chatterley é um singelo e honesto retrato de como uma paixão é capaz de surgir nos terrenos menos improváveis. O mais sedutor no filme, que tem quase três horas, é a forma especialmente sincera como a história de amor que dá base ao roteiro é tratada.

    A Lady Chatterley (a ótima Marina Hands, de As Invasões Bárbaras) do título é esposa de um veterano da Primeira Guerra Mundial que, após defender o exército francês no conflito, feriu-se em campo e ficou paralítico. Ao lado do caçador que trabalha em sua propriedade, Parkin (Jean-Louis Coulloc'h, lembrando muito um Marlon Brando jovem e bronco), ela sacia as carências instintivas e naturais que não podem mais ser supridas pelo marido debilitado.

    A forma como o relacionamento entre o casal evolui é tratada de uma forma honesta. Por isso, a necessidade de mais de duas horas de filme: se num primeiro momento é o apetite sexual que comanda os atos dos personagens; se na primeira cena existe uma relação gelada e totalmente desajeitada, o espectador é capaz de acompanhar com clareza a forma como os mais genuínos e até inocentes sentimentos surgem entre a dupla. Ou seja, quanto mais se amam, mais puros e inocentes se tornam, a ponto de realmente acreditar que o relacionamento entre os dois, de classes sociais totalmente opostas - lembre-se que a história se passa na França aristocrática no início do século 19 -, tem futuro.

    Apesar de ser centrado num romance fora do matrimônio, Lady Chatterley não toma nenhuma posição moralista. O que os protagonistas fazem não é julgado em nenhum momento. Sempre com a presença de elementos naturais, seja no ambiente ou na composição da direção de arte, o filme enfoca o caráter natural, literalmente, do relacionamento entre Lady Chatterley e Parkin. Fica claro que começam a se relacionar simplesmente para suprir as carências afetivas que qualquer ser humano é capaz de sentir, sem julgamentos éticos e morais. Seus desejos mais instintivos são explorados no filme dirigido por Pascale Ferran e é exatamente por isso que o filme funciona tão bem. Contemplativo, é honesto, real e passa longe do maniqueísmo. E, o mais importante: o espectador é capaz de se identificar com os personagens, pois, apesar de viverem num século diferente, desenvolvem sentimentos atemporais. Lady Chatterley desenvolve-se claramente sobre sentimentos e isso todos entendem, independente da geografia ou do tempo.