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    LARA

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Durante muitos anos, o cinema brasileiro padeceu de um grande problema: levar para as telas falas, marcações e interpretações eminentemente teatrais. O defeito era acentuado na época das dublagens, quando a técnica nacional ainda não utilizava o som direto. Felizmente, porém, esta “teatralidade” do filme brasileiro foi desaparecendo aos poucos e hoje não existe mais este problema. Ou, não existia: Lara, o novo longa-metragem de Ana Maria Magalhães, traz de volta todo o estilo histriônico de interpretação que pode até funcionar no palco, mas que se torna insuportável na tela.

    A cineasta ficou quase dez anos envolvida no projeto e investiu mais de R$ 4 milhões para contar a vida da Odete Lara. Atriz de Noite Vazia, Copacabana me Engana, O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro, Vai Trabalhar Vagabundo e vários outros filmes, Odete Lara – atualmente aos 73 anos – viveu todos os tipos de excessos durante sua carreira profissional, saiu da vida artística há mais de 30 anos e se recolheu à religiosidade.

    O filme segue uma estrutura convencional. Começa mostrando um momento difícil na vida da atriz (um acidente de automóvel), retoma a narrativa em vários flashbacks e retorna ao ponto de partida para o desfecho final. Clássico. Porém, todos os cuidados tomados na reconstituição de época e na pesquisa da vida da biografada vão por água abaixo quando o filme escancara seu estilo teatral. Os diálogos são recitados, há movimentações de câmera duras e antiquadas, e o ritmo é truncado. Christine Fernandes e Maria Manoelle, as atrizes que interpretam Odete Lara em duas idades, até que se esforçam, mas fica claro que o problema aqui é mesmo de direção e não exatamente de interpretação. Até Hugo Carvana, numa minúscula participação, está pouco à vontade e sua fala sai dura. E nem a excelente Ana Beatriz Nogueira exibe seu costumeiro talento. O resultado é um filme frio, em que se torna muito difícil a empatia com o público. Um desperdício de dinheiro e de uma boa idéia que morreu na praia.

    5 de novembro de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br