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    LATE BLOOMERS - O AMOR NÃO TEM FIM

    Comédia dramática de Julie Gavras aborda com leveza o envelhecimento de um casal<br />
    Por Heitor Augusto
    09/11/2011

    Não é novidade que um filme de Julie Gavras consiga se aproximar de temas delicados com um charme que atenua as dores no meio do caminho. Se em A Culpa é do Fidel!, uma menina filtrava a dureza e sequelas do tema (militância política), em Late Bloomers – O Amor Não Tem Fim o envelhecimento é o assunto da filha de Costa-Gavras.

    Os traumas são aliviados, as passagens menos dolorosas. Um filme educativo, no qual os personagens começam desconhecendo algo e, após a jornada compartilhada pelo espectador, “aprendem” uma lição para seguir vivendo.

    O bom da atenuação típica de Julie é que um público mais conservador que passaria longe de um filme sobre aprender a envelhecer dará uma chance a Late Bloomers – O Amor Não Tem Fim e, provavelmente, não vai se decepcionar. O ruim é que abrandar na abordagem implica deixar de aprofundar e investir nas dores, o que também faz parte do processo de amadurecimento.

    Tais escolhas tornam Late Bloomers – O Amor Não Tem Fim um filme leve, apesar da potencial aspereza da história; divertido e aprazível, porém superficial; personagens com empatia, mas repetições clichês; charmoso, todavia previsível.

    Quem guia a história escrita por Julie Gavras e Olivier Dazat é um casal vivido por William Hurt, cujo olhar guarda uma indecifrável tristeza desde O Beijo da Mulher-Aranha, e Isabella Rossellini, atriz que consegue dar uma pitada de humor às suas personagens. O filme abre com Adam (Hurt) ganhando uma medalha por seu trabalho como arquiteto. Passam alguns minutos e sua esposa Mary (Isabella) percebe que estão ficando velhos. O que fazer?

    O poder de sedução de uma mulher que chegou aos 60 (uma das melhores cenas do filme é a cantada no café), a necessidade de confirmar a virilidade para o homem, a obrigação de se reinventar, a falácia do discurso da “Melhor Idade” e outros assuntos passam com sensibilidade por Late Bloomers – O Amor Não Tem Fim.

    Porém, a cada sinal de entrar a fundo numa questão, o filme prefere puxar o freio. Um momento cômico sucede um dramático, uma sequência musical alivia o drama e assim o filme segue. Um tom parecido com Elsa e Fred - Um Amor de Paixão.

    Sem muitas surpresas, mas com um potencial claro em seduzir quem olha para a velhice como uma questão próxima. Numa sociedade cada vez mais conservadoram que cria um discurso eufemista para a idade, como viver os 60 com os benefícios que o tempo traz, mas sem cair nas armadilhas do comportamento infantilizado e vazio de viver como nos 20?

    Late Bloomers – O Amor Não Tem Fim é um comentário en-passant sobre isso.