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    LAVAGEM A SECO

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Quando trabalhei na Folha da Tarde, há quase 20 anos, o crítico de cinema Fernando Morgado - sempre muito bem humorado - me disse o seguinte: "Existem alguns filmes que são distribuídos. Existem outros que escapam." Não pude deixar de me lembrar desta deliciosa frase ao receber o e-mail comunicando a estréia de Lavagem a Seco, produção francesa de 1997 que só agora chega ao nosso circuito. De acordo com o tal e-mail, o filme seria exibido para a imprensa na quarta-feira para estrear na sexta. E mais: haveria apenas uma única sessão para os jornalistas, que aconteceria no mofado, mal cheiroso, escuro e decadente cine Belas Artes. Sem dúvida, isso não é distribuição de cinema. Este é o típico caso do filme que "escapou".

    Para mim, cinema é algo muito precioso para ser visto às pressas numa sala sem condições técnicas. Vou preferir que o filme entre em cartaz, verificar se existe alguma sala satisfatória para sua exibição e só depois disso fazer a crítica. Se o leitor do Cineclick assim me permite.

    Por enquanto, é possível adiantar algumas informações sobre Lavagem a Seco: a trama mostra Jean-Marie (Charles Berling) e sua esposa Nicole (Miou Miou, de Germinal e O Oitavo Dia), um casal que há 15 anos vive num saudável clima de amor e fidelidade. Eles mantêm uma lavanderia que praticamente não lhes deixa nenhum tempo livre para o lazer. Até que um dia os dois finalmente conseguem dar uma escapada e acabam assistindo a um show num clube noturno. No palco, um rapaz vestido de anjo proporciona aos espectadores uma performance repleta de uma energia sexual perturbadora. A partir daí, a vida de Jean-Marie e Nicole nunca mais seria a mesma.

    A direção e o roteiro do filme são de Anne Fotaine, realizadora de Les Histoires d'Amour Finissent Mal (de 1992) e Augustin (1995), filmes que não chegaram ao circuito comercial brasileiro. A diretora afirma que "os personagens de Lavagem a Seco estão em terreno cada vez mais escorregadio. Você sugere esses deslizes com pequenos toques. Como na cena em que, durante a noite, Nicole dança com o vestido de Loïc dentro da lavanderia, ou a cena em que o movimento das roupas virando na máquina sugerem o mundo dos personagens virando de cabeça para baixo."

    A conferir.

    4 de julho de 2001
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Televisão, Canal 21, Band News e Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br