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    LÉO E BIA

    Um filme pessoal e intimista, com uma linguagem teatral que retrata bem o período dos anos 70<br />
    Por Celso Sabadin
    01/09/2010

    Conhecido como músico e compositor (de Bandolins e Agonia, por exemplo), Oswaldo Montenegro resolveu fazer um filme. Não para seguir carreira, como ele mesmo admite, mas para colocar na tela uma história pessoal de amor que – de certa forma – Montenegro buscava exorcizar. O resultado é Léo e Bia, exibido (e até premiado) no Festival Cine PE deste ano.

    Baseado em experiências próprias, Oswaldo Montenegro mostra em seu filme os amores e desamores, os encantos e desencantos, os sonhos e frustrações de um grupo de teatro dos anos 70. Era a época do movimento hippie, da tentativa diária de mudar o mundo (e da certeza que esta mudança viria), da Era de Aquário, da luta contra a Ditadura, da intolerância em constante atrito com o libertário. Léo e Bia fala um pouco de tudo isso. Sem sair do palco. Todo o foco é centrado neste grupo de teatro e nas relações que seus membros mantém entre si e entre o mundo externo, ainda que este tal mundo exterior quase nunca apareça, que ele seja um coadjuvante cruel e poderoso representado principalmente na personagem de Françoise Fourton.

    O maior estranhamento que o filme provocou no Cine PE é o fato dele parecer um teatro dos anos 70. Pois esta é, justamente, a sua maior virtude. A ação fílmica se transporta de corpo e alma para um tablado qualquer dos anos de chumbo, assume de peito aberto tanto a sua linguagem teatral como a ingenuidade e a solenidade dos diálogos da época, e monta assim – entre quatro paredes - um retrato fiel de um período riquíssimo. Quase dá para sentir o cheiro de patchouli.

    Provavelmente por não ter maiores pretensões no Cinema, Montenegro ousou. Não se rendeu às fórmulas fáceis do tal cinema de mercado e preferiu fazer uma obra pessoal e intimista sobre a própria realidade que viveu.

    Léo e Bia
    é assim, simples, e ingenuamente nostálgico. E que ainda rendeu a Paloma Duarte (ex-mulher do diretor) o prêmio de Melhor Atriz em Pernambuco. Um filme terno que custou menos de R$ 300 mil, bancados do bolso do próprio Montenegro

    Nada mal para quem assumidamente não tinha nenhuma pretensão.