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    LIGA DA JUSTIÇA

    Por Daniel Reininger
    15/11/2017

    O universo DC no cinema divide opiniões desde seu início com O Homem De Aço. Alguns idolatram, outros odeiam, mas o consenso geral é que a editora ainda precisa encontrar seu tom. Mulher-Maravilha veio para mudar as coisas e se tornar o primeiro filme aclamado desse universo, embora muitos o achem parecido demais com a Marvel. Agora, Liga Da Justiça entrega um filme com a cara da DC, narrativa coerente, bom ritmo e capaz de divertir.

    Sem dúvida todos queriam ver um live-action do grupo mais famoso dos quadrinhos. A boa notícia é que o longa é superior a Batman Vs Superman, mas a verdade é que ainda sofre com erros, como o começo truncado, exagero de cenas desnecessárias e CGI inconstante.

    É algo bem menos problemático do que vimos em BvS, mas são erros típicos da direção de Zack Snyder. O filme se torna fluído uma vez que os heróis passam a agir juntos. Dali em diante, tem ar mais leve, descontraído e a mão de Joss Whedon, que assumiu refilmagens e a montagem final, fica evidente.

    A trama une elementos vistos nos outros filmes do universo. É centrada nas Caixas Maternas, guardadas pelos povos da Terra para evitar o domínio de Lobo da Estepe, conquistador que tentou tomar o planeta milênios atrás, mas foi impedido pela união dos antigos deuses, como Zeus, e dos mortais.

    Com as ações de Lex Luthor em BvS e a morte do Superman, o vilão sente o chamado das caixas e retorna para finalizar sua dominação. A invasão é eminente, Bruce Wayne sabe disso e, ao lado de Diana, quer criar um grupo de defesa, mas pode ser tarde demais.

    O roteiro apresenta bem o problema e justifica a união dos heróis. Além disso, os novos personagens são introduzidos sem pressa, embora a edição sofra um pouco do efeito videoclipe de Snyder, especialmente no início do longa.

    Para quem não conhece, Ciborgue é o hacker deprimido e, embora seja o menos divertido do grupo, tem papel importante. Aquaman realmente tenta apagar a imagem patética que boa parte das pessoas têm dele e é cheio de atitude, ao ponto de muitas vezes parecer astro de um clipe musical dos anos 90. Já Flash é alívio cômico, com Ezra Miller encarnando muito bem o brincalhão Barry Allen, garantindo boas tiradas e protagonizando uma cena incrível em câmera lenta.

    Obviamente, a trindade da DC já é motivo suficiente para pagar o ingresso. Dessa vez, Superman está mais próximo das versões das HQs. Ele voltou a ser o herói bondoso e leve que conhecemos, para felicidade de muita gente. Mulher-Maravilha continua badass e encantadora. Infelizmente, Batman parece mais fora de tom do que nunca.

    Ben Affleck parece ter sentido as críticas ao seu Bruce Wayne e está apagado, com diálogos clichês sem emoção e sempre deslocado em relação aos outros membros da Liga, mesmo sendo um dos líderes. Até mesmo a boa química com Diana, vista em BvS, parece ter sumido.

    Outro problema do longa é o Lobo das Estepes, de motivações simplórias, diálogos clichês e computação gráfica falha em muitos momentos, o que o deixa com um ar esquisito. Sem surpresas, afinal o vilão ser fraco é problema comum em 90% dos longas do gênero.

    Outro aspecto da maioria dos filmes de heróis e reproduzido aqui é o humor, presente em boa parte da trama de Liga da Justiça, apesar do tom ser menos exagerado do que vemos nos filmes da Marvel. Um momento com Aquaman sentimental é particularmente engraçado e criativo.

    E é claro, Liga da Justiça tem boas cenas de ação. O curioso é que certos momentos dos longas anteriores parecem ter sido melhor ensaiados/planejados, apesar de suas inegáveis falhas técnicas e narrativas. Liga possui bons momentos, mas o exagero de CGI e a falta de entrosamento dos membros da LJ atrapalham os combates nesta obra.

    Visualmente, o longa é mais claro e segue a estética de Mulher-Maravilha, embora o estilo de Snyder seja óbvio e ainda garanta algo realmente único. Entretanto, os cenários mais interessantes são os já vistos em filmes anteriores, afinal falta criatividade aos novos ambientes introduzidos nesta produção. E como esperado, a trilha sonora faz sua parte, evocando momentos épicos e sentimentais quando necessário.

    Liga Da Justiça mostra que a DC está mesmo no caminho certo, embora ainda não tenha acertado a mão em cheio, a melhora é óbvia. Talvez a questão mais importante é que o filme é capaz de divertir do começo ao fim e consigue manter o interesse do público mesmo longe das cenas de ação. Os diálogos, como um todo, também estão menos exagerados e mais realistas e praticamente todos os personagens têm espaço para brilhar.