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    Crítica: Snyder Cut eleva a Liga da Justiça a algo que vale a pena assistir

    Versão para adultos tem quatro horas de duração e traz história mais coesa
    Por Daniel Reininger
    18/03/2021 - Atualizado há 4 meses

    O filme da Liga da Justiça lançado nos cinemas em 2017 é quase um episódio da animação dos heróis, leve, divertido e sem profundidade. Não incomoda e nem empolga, recebeu críticas negativas e fracassou nas bilheterias.

    Logo depois, os fãs começaram a apontar que os defeitos se devem às modificações de Joss Whedon, que assumiu a direção, e da interferência do estúdio, defendendo que a versão do diretor Zack Snyder seria mais sombria e épica. E bem, eles estavam certos.

    Diferente de O Senhor dos Anéis, cuja versão estendida deixa a história mais completa e interessante, o Liga da Justiça de Zack Snyder, que chegou às lojas de streaming brasileiras nesse dia 18 de março, muda completamente a trama e os acontecimentos, o que mostra que seu conceito inicial era realmente muito diferente do visto nos cinemas, mas também se beneficia de anos de feedbacks de fãs e críticos. 

    A história de como essa versão chegou aos olhos do público contamos em outras postagens, aqui vamos analisar o Snyder Cut, versão que eleva a Liga da Justiça a algo que vale a pena assistir e reassistir. Cuidado com spoilers, já que analisamos as principais mudanças entre as versões.

    Você foi avisado dos spoilers...

    A história começa da mesma forma e conta como depois do sacrifício de Superman (Henry Cavill) para matar Apocalipse, Bruce Wayne (Ben Affleck) resolve reunir uma equipe de heróis para defender Terra de uma ameaça alienígena. A diferença, nesse ponto, é como o filme apresenta melhor os personagens e eventos importantes para deixar a história mais coerente. 

    A trama agora traz aprofundamento até do vilão Lobo da Estepe, mostrado como um lacaio qualquer na versão dos cinemas. Aqui, ele tem motivação, profundidade e um passado, a ponto de entendermos o que ele precisa e onde quer chegar, sempre em busca de redenção.

    Todos os personagens têm uma jornada mais clara e interessante. A prova máxima disso é o Ciborgue (Ray Fisher), que teve sua história destruída na versão de 2017 de Liga da Justiça. É impressionante como Victor Stone se tornou um personagem profundo, envolvente, quase como um anti-herói de terror gótico. A luta do rapaz para aceitar suas novas circunstâncias é interpretada de forma convincente por Fisher e faz todo sentido com sua jornada.

    Batman também está bem diferente, mudado em relação ao sacrifício do Superman, muito diferente do que estamos acostumados, mas que mostra uma evolução em relação aos eventos de Batman Vs Superman. Além disso, a interpretação de Ben Affleck está muito mais realista e natural, o que reforça o caso de seus defensores para o papel.

    A ressurreição do Superman funciona muito melhor agora e o retorno de suas lembranças é mais adequado. Clark tem um momento ótimo na fazenda da família Kent, mas é a preparação para esse momento ao mostrar a dor de suas amadas que faz o reencontro com Lois Lane (Amy Adams) e Martha Kent (Diane Lane) muito mais emocionante. O papel de Superman como símbolo de esperança é o mesmo, porém.

    Ezra Miller pode mostrar um pouco mais de Barry Allen e seus poderes. O mesmo vale para Arthur Curry (Jason Momoa), cuja motivação para se juntar à Liga é finalmente mostrada com clareza e não simplesmente jogada na tela para quem quisesse comprar a ideia.

    Mulher-Maravilha (Gal Gadot) também ganha cenas extras, como quando ela descobre que as Amazonas possuem mais informações sobre Darkseid, mas sem tantas novidades, embora ela mantenha uma posição de destaque na trama. Um bom ponto é que a vergonhosa cena de Flash caindo em cima de Diana foi retirada. Ainda bem!

    Outra vitória dessa versão são as cenas de luta. Livre das restrições de classificação para adolescentes, Snyder não tem problemas em deixar seus personagens muito mais violentos, com lutas sangrentas e selvagens. A ação se beneficia da experiência de Snyder e os confrontos entre heróis e vilões são viscerais. Essa versão para adultos até nos permite ter o prazer de ver Batman falando o palavrão F***. 

    A batalha final, então, é absurdamente mais bem feita e divertida de acompanhar.

    O que nos leva aos efeitos. Não só o visual está mais limpo e mais claro do que o esperado, como o visual do vilão Lobo das Estepes agora coloca medo nos corações de todos. Ele é realmente assustador, como já vimos no trailer. 

    Entretanto, algumas cenas deixam óbvios quais efeitos foram feitos para a nova versão, afinal possuem uma qualidade mais baixa do que a dos cinemas. Outro fator positivo é que a trilha sonora de Danny Elfman foi substituída por uma melhor, feita por Thomas Holkenborg (Junkie XL).

    Já a ideia de lançar o filme em proporção 4 por 3 e não em wide, por mais nobre (entenda nessa postagem), gera um estranhamento que a produção não precisava. Entretanto, me deixou ainda mais curioso para ver como seria a versão cinematográfica em IMAX, afinal o formato é perfeito para essas telas enormes. Quem sabe a Warner não relança dessa forma após a pandemia? 

    Não há dúvidas de que Liga da Justiça de Zack Snyder tem uma trama melhor, mas muitas mudanças caem no fan service. A aparição do Caçador de Marte, por exemplo, é desnecessária e estraga uma das cenas mais importantes do filme, quando Martha e Lois se reencontram em luto. O mesmo vale para a aparição de Coringa e para o Epilógo todo.

    É uma pena saber que as chances de vermos uma continuação dessa história são mínimas, porque eu fiquei extremamente curioso com a segunda parte da história, quando Darskseid em pessoa viria para a Terra. Não custa sonhar, por mais improvável que seja.

    Liga da Justiça de Zack Snyder prova que a visão do cineasta, por mais exagerada que seja, é capaz de criar um mundo interessante para a DC, ainda mais sem a interferência externa. Entretanto, ele se daria muito melhor criando séries de TV para suas histórias, afinal, ele não sabe como ser conciso. Encarar as quatro horas da nova versão é uma experiência recompensadora, mas assistir aos poucos é a melhor opção.

    Esse é um filme para quem gosta de quadrinhos e da visão de Snyder, disso não tenho dúvidas. Provavelmente, se essa versão fosse lançada nos cinemas, não agradaria, como aconteceu com outras de suas obras. 

    Visto com melhores olhos pelas circunstâncias, o mais importante é que Snyder parece ter encontrado fechamento ao terminar o longa, que marcou um dos momentos mais tristes de sua vida: a morte de sua filha. E todos somos testemunhas disso.