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    LINHA DE AÇÃO

    Roteiro usa a conveniência para desenvolver a trama fraca e enfrequece personagens centrais
    Por Roberto Guerra
    11/03/2013

    O título para o Brasil deste thriller é um equívoco e pouco ou nada diz sobre seu enredo. Pode, inclusive, induzir o espectador ao erro de acreditar tratar-se de um filme de ação, o que definitivamente não é. Originalmente intitulado Broken City, o longa fala de corrupção política e policial na cidade de Nova York. A trama de revelações fúteis e personagens genéricos e sem ambiguidade enfraquece este filme que taxia, taxia, mas nunca decola de fato.

    O herói do longa é Billy Taggart (Mark Wahlberg), ex-policial com uma mancha em seu passado, acontecimento que o levou a largar a policia e virar detetive particular. Os negócios não vão muito bem e muitos de seus clientes se recusam a pagar suas dívidas. É quando recebe uma ligação do prefeito (Russel Crowe) contratando-o para um serviço: descobrir o suposto amante de sua mulher (Catherine Zeta-Jones). O político está, aparentemente, menos preocupado com traição da esposa e mais temeroso do quanto a descoberta do caso extra-conjugal possa afetar suas chances de se reeleger. O trabalho parece fácil e a recompensa é alta: US$ 50 mil.

    O roteiro do estreante Brian Tucker pontua a vida de Taggart com mais uns elementos acessórios. Ele tem uma namorada por quem deixou de beber e uma irmã que trabalha como secretária em seu escritório. Personagens acessórios e supérfluos, que nada acrescentam e que pouca importância têm para a trama. A cena em que Taggart assiste ao filme de estreia de sua mulher - atriz em início de carreira – e, posteriormente, explode de ciúmes incomodado com as cenas de sexo que a amada protagoniza é desnecessária e só serve como artifício para eliminar a personagem da trama.

    Essa conveniência nos acontecimentos permeia todo o roteiro de Tucker, o que tira muito da naturalidade e credibilidade da história. As técnicas pueris de investigação de Taggart também não ajudam a nos convencer de que foi um investigador da polícia um dia. Ele está sempre à vista de seus investigados (chegando inclusive a bater papo com um deles). Sua câmera parece desprovida de zoom, pois só assim para explicar a proximidade que precisa estar das pessoas para clicá-las. Qualquer detetive pé-de-chinelo, desses que vemos anunciar seus serviços nos classificados, faria melhor.

    É claro que a investigação solicitada pelo prefeito tem outros propósitos que vão além da preocupação com a campanha. Tudo gira em torno de uma conspiração milionária que envolve a venda de um conjunto habitacional público. Mais isso não é novidade para o espectador, pois a tramoia já havia sido explicitada anteriormente por seu adversário político, interpretado por Barry Pepper – mais um personagem sem essência a serviço do desenvolvimento capenga do enredo.

    Este é o grande problema de Linha de Ação: seu roteirista usa os personagens para justificar os acontecimentos da trama e não como agentes desenvolvedores desta. Os detalhes são instáveis, as motivações dos personagens, confusas. Prova disso é a atitude altruísta de Taggart ao final do filme. Não há nada ao longo da história que nos convença de que seria capaz de tal sacrifício.