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    LIVRAI-NOS DO MAL

    Filme promete sustos, mas clichês prejudicam o roteiro
    Por Júlia Fernandes
    18/09/2014

    Como o próprio nome sugere, Livrai-nos do Mal é outro filme sobre possessões demoníacas e mais um com a tentativa de instigar o medo com o uso do batido "baseado em fatos reais". Como a narrativa se sobressai mais do que os sustos e o terror - algo que se espera de um filme do gênero -, é de se pensar que a produção deveria ser anunciada como um drama.

    O longa, baseado no livro Beware the Night, conta a história real de Ralph Sarchie (Eric Bana, de Star Trek), um sargento da polícia de Nova York dedicado à divisão de casos especiais, o que tem feito negligenciar a mulher Jen (Olivia Munn. da série The Newsroom) e a filha de seis anos. O surgimento de uma série de casos policiais que parecem inexplicáveis e a influência do padre jesuíta Mendoza (Édgar Ramírez, de O Ultimato Bourne), levam Sarchie a acreditar que os crimes podem ser casos de possessão demoníaca.

    É aí que o personagem começa a lutar contra seus fantasmas do passado e sua falta de fé para chegar a fundo na tentativa de interromper essa onda de manifestações do mal. Na história original, é fato que Sarchie deve ter passado por situações das mais assustadoras durante o seu trabalho (que foi inclusive registrados em vídeos publicados no YouTube), mas a transposição para o cinema não provoca os sustos esperados. É mais ou menos a mesma quebra de expectativas que o diretor Scott Derrickson causou em outro trabalho, O Exorcismo De Emily Rose

    Bana é bom ator e não precisa fazer grandes esforços para dar intensidade ao protagonista perturbado, embora seu sotaque seja por vezes forçado. Tanto Olivia Munn como Joel McHale, que interpreta seu parceiro Butler e funciona como alívio cômico em meio à tensão, cumprem seus papéis de forma sólida, embora sem brilho, empobrecendo o lado pessoal que poderia ser intensificado com o desenvolvimento desses coadjuvantes.

    Por outro lado, o personagem Mendoza é bem caracterizado: usa jaqueta de couro ao invés da batina, tem um passado sombrio, já se envolveu com drogas e fuma e bebe para aguentar o fardo de seu trabalho desgastante. Ramírez tem um desempenho à altura de Bana, mas é limitado por um roteiro que poderia ser mais profundo. 

    Algumas ideias originais, como a inclusão da músicas do The Doors na trilha sonora quando a porta para a entrada dos espíritos malignos na Terra é aberta, são ofuscadas pelo uso excessivo de vozes estranhas, passos e outros clichês de gênero. Outras cenas são tão batidas que parecem desconexas do restante do filme, como quando o policial está investigando uma casa e é atacado, mas continua seu trabalho como se nada tivesse acontecido.  Em determinado momento, Sarchie se rende ao sobrenatural e, obviamente, haverá um grande exorcismo. Mas, novamente, falta novidade à narrativa.

    Livrai-nos do Mal acaba ficando no meio do caminho: não chega a ser terror típico, não se aprofunda o suficiente para ser um bom thriller psicológico. Com boa produção  e elenco forte, o filme pode ser bom entretenimento em uma noite chuvosa, mas não espere grandes sustos ou arrepios.