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    LONGE DELA

    Por Celso Sabadin
    16/05/2008

    Um tema difícil, profundamente emocional, tratado com extrema dignidade. Assim pode ser definido o drama Longe Dela, segundo filme da canadense Sarah Polley, muito mais conhecida pela sua carreira de atriz (ela esteve em A Vida Secreta as Palavras, Estrela Solitária, O Doce Amanhã e vários outros).

    Intimista e poético, o filme começa mostrando o cotidiano aparentemente tranqüilo de um charmoso casal na faixa dos 60 anos. Grant (Gordon Pinsent) e Fiona (a premiadíssima Julie Christie) almoçam juntos, contam histórias, se divertem. Ao final da refeição, sob o olhar complacente de Grant, Fiona pega a frigideira sobre a mesa e a guarda dentro do refrigerador. Paciente, Grant espera que Fiona saia da cozinha e, com movimentos lentos, desfaz o engano da esposa. Distração? Não. A bela cena sinaliza o tema principal de Longe Dela: o Mal de Alzheimer.

    A partir daí, o filme constrói a dolorosa trajetória de um casal que se distancia, perde o rumo, se perde. Ela vive a sagrada ingenuidade do desconhecimento crescente; ele entra no pânico da despedida anunciada. E, entre ambos, a roteirista e diretora Sarah Polley constrói e desconstrói uma belíssima história de amor e perda. Não sem antes introduzir um precioso elemento de dúvida que sugere uma traição passada. Ou não?

    Não por acaso, Longe Dela é produzido por um dos melhores cineastas canadenses, Atom Egoyan (egípcio de nascimento, mas radicado na América), que já havia trabalhado com Sarah em O Doce Amanhã. Assim como seu mestre, a diretora realiza um trabalho pautado pela sensibilidade, de ritmo contemplativo e belo, no qual os pequenos olhares e gestos fazem as grandes diferenças cinematográficas.

    Para paladares sensíveis.