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    LOOPER - ASSASSINOS DO FUTURO

    Longa é boa surpresa para os fãs de ficção científica: inteligente e acima da média
    Por Roberto Guerra
    27/09/2012

    As ficções científicas têm público cativo e Hollywood investe todo ano em várias produções do gênero para faturar em cima de quem vive o presente imaginando o futuro. Taí uma turma que sofre. Não por falta de filmes, mas pelo número de bobagens onde a lacuna deixada pela falta de estofo narrativo é preenchida por efeitos especiais pomposos.

    Vez ou outra surge algo com substância e acima da média. Este é o caso de Looper - Assassinos do Futuro, filme ambientado em 2044 com Joseph Gordon-Levitt (Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge) e Bruce Willis nos papéis principais.

    Neste futuro imaginado pelo diretor e roteirista Rian Johnson (Vigaristas), a máquina do tempo ainda não foi inventada, mas será algumas décadas à frente. É de lá que organizações criminosas - as únicas que utilizam o equipamento proibido - enviam seus desafetos para serem assassinados em 2044. A ideia é que os vestígios de suas existências desapareçam do futuro, onde se livrar de um corpo é praticamente impossível.

    Os assassinos responsáveis por dar cabo dos infelizes vindos do futuro são chamado de loopers. Seu trabalho é relativamente fácil: em dia e hora marcados eles aguardam suas vítimas chegarem da viagem temporal. Eles vêm sempre amarrados, com capuz na cabeça e barras de prata e ouro amarrados ao corpo – o pagamento pelo serviço vem junto com a vítima. Assim que surgem, os loopers disparam uma espécie de escopeta, matam o condenado e somem com o corpo da vítima.

    Essa é a rotina de Joe (Gordon-Levitt), que sabe que um dia terá de eliminar a si mesmo 30 anos mais velho – espécie de queima de arquivo exigida pelos chefões. Neste ponto o filme abre espaço a algumas reflexões filosóficas interessantes, como o apego ao presente em detrimento do futuro. Um looper sabe que só terá mais 30 anos de vida, que será ele mesmo o responsável por sua morte, mas ignora isso por uma garantia de presente mais confortável.

    E conforto parece ser um luxo de poucos nos Estados Unidos de 2044. A boa ambientação retrata um país caótico e em decadência onde a mendicância se tornou endêmica e milhares de pessoas vivem nas ruas. Joe era um menino nessa situação quando foi recrutado por Abe (Jeff Daniels, de Debi & Loide - Dois Idiotas em Apuros), enviado pelos chefões do futuro para recrutar os loopers. Ele não pensa em abandonar a vida de regalias que conquistou, por isso não hesita em realizar bem seu trabalho.

    Tudo vai bem até ele ter de liquidar a versão 30 anos mais velha de si mesmo, interpretada por Bruce Willis. A hesitação diante de uma surpresa o faz hesitar em apertar o gatilho, o que dá a Joe de 2070 a oportunidade escapar. Isso, naturalmente, não pode acontecer pelo risco de mudar o curso natural das coisas. Assim, uma caçada tem início para se eliminar o Joe do presente e do futuro. O problema é que ambos têm objetivos bem diferentes, apesar de serem a mesma pessoa.

    Com esse argumento o filme trata de maneira inteligente temas já bem explorados no cinema, como a velha questão: "Nosso futuro estaria pré-determinado ou seríamos capazes de mudar seu curso?" As respostas vêm com o desenrolar da história de Joe e também de um menino com poderes telecinéticos que, hipoteticamente, se tornará um tirano sanguinário em 2070.

    Em Looper somos conduzidos por uma narrativa envolvente e bem ambientada repleta de personagens complexos e dúbios o suficiente para ficarmos sem saber por quem torcer. Há um lapso de roteiro aqui e ali e algumas explicações um tanto confusas, mas isso não desmerece essa ficção científica inventiva, pouco previsível e distante da banalidade modernosa que grassa nos filmes do gênero.