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    LOVELACE

    Roteiro criativo e fotografia são destaques do longa
    Por Cristina Tavelin
    13/09/2013

    Em uma passagem do novo longa Lovelace, entrecortado pela reconstituição de programas de TV dos anos 70, um apresentador profere a comparação peculiar entre gêneros cinematográficos: "Garganta Profunda é praticamente ...e O Vento Levou da indústria pornográfica". Seria Linda Lovelace uma Scarlett O'hara? Não chega a tanto.

    Jeffrey Friedman e Rob Epstein (Uivo) repetem a parceria na direção para contar a história do icônico filme pornô e de sua protagonista, a qual ganha vida nos traços da angelical Amanda Seyfried (Os Miseráveis). A atriz conseguiu incorporar bem o papel, em parte por transmitir naturalmente certa candura.

    Reza a lenda que Lovelace era a inocência em pessoa até adentrar o mundo do entretenimento adulto levada por seu marido Chuck Traynor. A interpretação de Peter Sarsgaard (Lanterna Verde), variando entre a amabilidade e a cólera, deu o tom certo ao personagem oportunista. Outra atuação de destaque fica por conta da praticamente irreconhecível Sharon Stone no papel de mãe beata.

    O longa mantém foco nos 17 dias dentro dos sets de filmagem de Garganta Profunda que repercutiriam por toda a vida de Linda. A fotografia de tonalidade sépia junto a uma reconstituição de época bem feita ambientam de forma eficiente a década do flower power.

    Escrito por Andy Bellin e Merritt Johnson, Lovelace tem um roteiro bem desenvolvido e surpreende na medida de seu desenlace. Até a metade da trama, mostra-se a aparência sedutora da fama repentina. Na segunda parte, os bastidores vêm à tona a partir da primeira perspectiva, num movimento circular em torno de determinadas passagens.

    Uma delas mostra o que realmente se passa no quarto onde Linda e Chuck estão durante uma festa. Para os convidados, o barulho denota diversão. Mas os fatos não fazem juz à essa ideia.

    O longa tem lá seu clichês e não se mantém empolgante o tempo todo, mas vale ser visto pela forma interessante de desenvolvimento da narrativa e estética notável ao contar uma boa história. Além disso, foi criativo para desviar de cenas de sexo explícito que não fariam tanto sentido no drama.

    A questão intrínseca a Lovelace é a libertação sexual feminina. Nesse movimento, a mulher livre e a mulher objeto se confundiram muitas vezes aos olhos de ambos os sexos. Linda jogou luz ao debate pela forma mais difícil: sendo usada. Se era tão inocente quanto o filme mostra, já é outra história.