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    LUCY

    Scarlett Johansson mantém filme interessante até o fim
    Por Daniel Reininger
    26/08/2014

    Luc Besson abusa da falácia de que humanos usam apenas 10% da capacidade de seus cérebros para criar a trama de seu novo filme. Embora esteja cientificamente provado que não é verdade, muita gente acredita nessa informação. Se esse é o seu ou caso, então achará Lucy bastante divertido. Para todos os outros, vai depender da capacidade de cada um de ignorar ou não esse fato, afinal o longa usa essa desculpa constantemente para brincar com questões filosóficas e existenciais, por sinal nada novas para qualquer um que viu Matrix, em meio a muitas cenas de ação exageradas.

    Scarlett Johansson é Lucy, garota comum que ganha poderes extraordinários e decide guiar a humanidade a um novo futuro, depois de se vingar, claro. Depois de viver uma heroina em Os Vingadores, uma A.I. em Ela e uma alien em Sob A Pele, a atriz se supera novamente e fecha o ciclo como uma personagem que se transforma em uma deusa. É graças à ela que o espectador permanece interessado, mesmo quando a protagonista se torna um ser frio e calculista.

    Tudo começa quando a jovem estudande é raptada por bandidos que implantam cirurgicamente pacotes de super-drogas em seu abdomem para forçá-la a agir como mula (pessoas que carregam drogas entre países) para a Europa. Quando um dos pacotes estoura dentro dela, ao invés de matá-la, algo muda em seu DNA, como todo bom filme de super-heróis, e a capacidade do cérebro de Lucy aumenta a taxas impressionantes, revelando habilidades mentais e físicas muito além da imaginação.

    Como esperado, Bessom garante grandes sequências de ação, incluindo uma perseguição de carro completamente louca pelas ruas de Paris. Os tiroteios não empolgam tanto, mas as lutam que envolvem os poderes de Lucy são bem produzidas e não devem nada a nenhum filme de super-heróis. O problema é que as coisas começam a ficar bem esquisitas quando a garota passa a marca de 60% de capacidade cerebral. Seus poderes crescem de forma exorbitante e a tornam praticamente uma divindidade, acabando com todo o suspense e qualquer sensação de perigo da trama.

    A partir daí as lutas perdem a graça de vez, já que ela só precisa acenar para vencer os inimigos. Além disso, o discurso existencial começa a pesar cada vez mais perto do final e, eventualmente, a narrativa tenta emular, sem sucesso, o final de 2001: Uma Odisseia No Espaço. Para situar o espectador em meio a tanta loucura, Morgan Freeman tem o ingrato papel de explicar o que está acontecendo, algo muito parecido com o que fez recentemente em Transcendence e seu talento é desperdiçado.

    Apesar do final bizarro, que para muita gente pode fazer o longa-metragem soar como algo inteligente e reflexivo, Lucy funciona com seu jeito extravagante e pulp. Scarlett segura a onda e mantém a personagem interessante até o final. Além disso, a narativa é tão absurda que faz com que você fique curioso para ver o que vai acontecer em seguida. Mérito do diretor francês que arrisca criar algo maluco sem medo de ultrapassar os limites do bom senso, como fez tão bem em O Quinto Elemento e volta a repetir nesta produção.