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    MADEMOISELLE CHAMBON

    Um oásis de sentimentos dentro de uma cruel aridez estética<br />
    Por Celso Sabadin
    10/05/2010

    Verónique (Sandrine Kimberlain, de Betty Fischer e Outras Histórias) é uma musicista amadora e professora profissional sem raízes, que leciona de cidade em cidade por todo o país. Jean (Vincent Lindon, de Bem-Vindo), mais até do que em raízes, é especializado em fundações sólidas que erguem casas “para toda vida”, segundo suas próprias palavras. Duas pessoas antagônicas em suas origens que se vêem repentina e inevitavelmente atraídas. A violinista e o pedreiro.

    O amor entre ambos nasce sem aviso prévio. Sem flores, nem borboletas, muito menos orquestras tocando. É repentino. E proibido, já que Jean é casado. É sobre esta forte atração que se debruça a diretora e corroteirista Stéphane Brizé, que com este filme recebeu um César de melhor roteiro adaptado (a partir do livro de Eric Holder).

    Francês de corpo e alma, o drama Mademoiselle Chambon traz os elementos típicos da estética que consagrou a cinematografia daquele país. Para a alegria de seus admiradores e ódio de seus detratores. São tempos estendidos, longos momentos de silêncio, pausas reflexivas, olhares, sutilezas. Cinema feito para pensar, sentir e para contar a história de uma paixão avassaladora.

    Nem que seja apenas como contraponto à ansiedade visual que se instalou no cinema atual, o filme vale o ingresso: Mademoiselle Chambon é um belo oásis de sentimentos dentro de uma cruel aridez estética.