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    MÃE!

    Suspense de Darren Aronofsky é misto de emoções e sentimentos
    Por Iara Vasconcelos
    19/09/2017

    Há quem diga que toda boa arte que se preze provoca debates e inquietude. Se pensarmos por esse lado, Mãe! cumpriu bem o seu objetivo, mas no mundo do cinema é necessário muito mais que "buzz" para que um filme seja considerado uma obra-prima.

    O novo suspense de Darren Aronofsky é uma montanha-russa de sentimentos. Se há uma coisa que não podemos dizer é que o espectador sairá da sala de cinema da mesma forma em que entrou, mas se engana que pensa que o filme é uma unanimidade.

    Com uma narrativa toda construída em cima de alegorias e metáforas, a trama deixa uma gama de interpretações possíveis - que vão desde uma crítica de cunho ecológico, uma análise sobre a alienação provocada pelas religiões ou até a representação lírica do processo criativo de um artista - e pode soar confuso e até pretensioso (principalmente para aqueles que não gostam do estilo do diretor).

    Na trama, Jennifer Lawrence vive a esposa de um renomado poeta (nenhum personagem tem o nome revelado) vivido por Javier Bardem. Com o marido em plena crise criativa, ela se dedica incessantemente a reconstruir a casa onde os dois vivem, em um local isolado, que havia sido incendiada no passado.

    Mas a inesperada aparição de um hóspede misterioso é a porta de entrada para uma mudança radical na vida do casal. Não demora muito para que a esposa do homem também apareça na casa e logo a dupla domina o local, deixando a personagem de Lawrence e os próprios espectadores desconfortáveis. A presença das estranhas figuras logo se revela como o catalisador de uma série de acontecimentos caóticos.

    A qualidade técnica de Mãe! é indiscutível. O longa tem o interior da casa como único cenário e consegue desbravar cada cômodo do lugar sem parecer redundante. A forma como cada passo da personagem de Lawrence é acompanhado, fazendo uso de uma quase "câmera subjetiva", e o capricho com os detalhes também são de encher os olhos.

    O diretor optou por usar um silêncio incômodo, que vai se transformando em uma explosão sonora de acordo com a evolução dos eventos, proporcionando ao espectador uma rica experiência sensorial.

    No quesito atuações, Lawrence sem dúvidas rouba a cena com uma interpretação sólida e visceral de uma mulher que é quase uma "amélia" no início do filme, mas que vai se transformando com o passar dos acontecimentos e buscando força até onde não acreditávamos que fosse possível. A atriz faz um excelente trabalho em dosar esse misto de emoções.

    O outro destaque fica por conta de Michelle Pfeiffer, que brilha em um papel provocador e impõe sua presença, crescendo mesmo em seu limitado papel de coadjuvante. É seguro dizer que as mulheres roubam a cena no longa.

    O grande problema de Mãe! é também o seu grande trunfo. Enquanto o filme trabalha metáforas de forma sensível e inteligente, ele também soa experimental demais para o momento atual do cinema e para um filme que foi promovido com afinco para o público geral.

    Após os mais de 120 minutos de sessão, fica fácil entender porque a obra dividiu tanto as opiniões durante sua estreia no Festival de Veneza. Ainda assim, por todo o debate gerado e por sua qualidade técnica, Mãe! é uma experiência que merece ser vivida.