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    MAGIA AO LUAR

    Bela fotografia não esconde roteiro pouco inspirado
    Por Gustavo Assumpção
    27/08/2014

    Woody Allen parece mesmo acreditar que há uma relação de oposição entre o amor e a razão, tema central de muitos de seus filmes. Em Magia ao Luar ele vai além, criando um embate entre um ceticismo quase científico e o que há de mágico no mundo, em uma narrativa ácida, característica tão peculiar de sua filmografia.

    A oposição aqui é construída com a ajuda de seus dois protagonistas: o arrogante e cínico ilusionista Stanley Crawford (Colin Firth) e a bela e esperta Sophie (Emma Stone), uma clarividente americana que Stanley quer desmascarar.

    Ambientado na década de 20 e com locações no sul da França, Magia ao Luar talvez seja puramente uma comédia de costumes disfarçada de romance. Firth repete o estilo lord inglês que lhe é tão peculiar, mas falta corpo e química para crer em seu envolvimento com Stone, personagem retratada sem as oscilações que imortalizaram muitas das personagens femininas do diretor. Por outro lado, Hamish Linklater, como o inocente Brice, e a veterana Eileen Atkins, como Vanessa, se mostram escolhas acertadas do elenco.

    Grande destaque, a fotografia parece funcionar como um verniz que dá beleza à forma, mas não é suficiente para segurar o conteúdo que parece nunca inspirado o suficiente. Cenas que parecem quadros pintados por Monet, uma trilha sonora repleta de canções clássicas da época e atuações em tom debochado, quase teatrais, completam um pacote de certo encanto, mas por vezes cansativo.

    Quando se apega ao humor, Magia ao Luar cresce. Mesmo se valendo de seus diálogos cheios de referências – de Nietzsche a Hemingway - faltam reflexões menos óbvias e discussões mais profundas - algo que a temática central permite. A sensação é de um roteiro inacabado e impreciso, o que torna a narrativa pouco convicente.

    Se nos últimos anos Woody Allen tem entregado alguns dos trabalhos mais relevantes de sua filmografia - Blue Jasmine e Meia Noite Em Paris estão aí para provar - é nesta década que o diretor também filmou alguns de seus longas menos inspirados. Assim como Para Roma Com Amor e Você Vai Conhecer O Homem Dos Seus SonhosMagia Ao Luar deve se tornar um dos filmes esquecíveis da rica trajetória do cineasta.

    Há quem perceba traços biográficos repetidos ou pense que Magia ao Luar é prejudicado por sua arrogância tão explícita, mas o fato é que mesmo quando nos dá seus filmes menos expressivos, Allen ainda consegue ser mais carismático e charmoso que boa parte dos diretores em atividade.

    Talvez esteja aí a grande magia de seu cinema.