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    MAGIC MIKE

    Filme vai além das cenas de striptease masculino e tem personagens genuínos e com humanidade
    Por Roberto Guerra
    30/10/2012

    Fui assistir ao novo longa de Steven Soderbergh acreditando que o destaque da trama seria Matthew McConaughey, mesmo que em papel coadjuvante. Não confiava que Channing Tatum pudesse exibir algo mais que músculos em cenas de striptease. Magic Mike, inclusive, é inspirado em experiências reais do ator como striper, profissão que exerceu antes da fama.

    Estava enganado. Tatum, que já havia trabalhado com Soderbergh no fraco A Toda Prova, desenvolve com espírito e carisma seu personagem. É, de fato, a estrela da produção. Ele é o Mike do título, nome artístico que usa num clube de strip de Tampa, Flórida. Lá é a estrela maior de um show ao melhor estilo Clube das Mulheres, em que os dançarinos encarnam personagens do imaginário erótico feminino.

    Mike, no entanto, não é um cara vazio atrás de fama ou dinheiro fácil. Não vive somente das rebolativas performances que faz no palco e nem mesmo se considera um striper, mas sim um empreendedor. Para divertir as mulheres faz o melhor que pode, mas tem outros propósitos na vida: sonha montar um negócio de móveis sob encomenda.

    O roteiro foge sabiamente da cilada de transformar Mike em estereótipo. A despeito de seus objetivos como empresário, ele não encara seu trabalho com mal necessário, um fardo. Curte o que faz e se aproveita das vantagens da atividade - o que inclui ter uma vida confortável e a mulher (ou mulheres) que deseja em sua cama. Mas Mike é centrado, tem boa visão de negócio e não se deslumbra com a “vida fácil” de striper.

    Enquanto a tão sonhada empresa de móveis planejados não se concretiza, ele investe dinheiro num negócio na área de construção civil. É lá que conhece Adam (Alex Pettyfer), jovem que mente sobre sua experiência para conseguir emprego. Como colocar telhas não é o forte do rapaz, Mike acaba por levá-lo para trabalhar no clube como ajudante. Não demora muito para o bonitão com cara de menino carente ganhe uma chance de subir ao palco sob os olhos atentos de Dallas (Matthew McConaughey), o ambicioso dono do lugar.

    Existem diversos personagens a orbitar o universo de Mike ao longo da trama, como Brooke (Cody Horn), a preocupada irmã mais velha de Adam. Ela funciona como uma espécie de consciência para Mike, mesmo que em nenhum momento o condene diretamente por seu trabalho. Há também a relação carregada de tensão e desconfiança entre Mike e Dallas. Este quer ampliar seus lucros e transferir a casa de shows para Miami. Mike está disposto a encarar a empreitada desde que possa entrar como sócio do clube.

    Magic Mike tem, infelizmente, um final conservador e cheio da típica moralidade norte-americana. Mas não é sem um bom desenvolvimento de seus motivos que os personagens tomam as decisões que tomam. Soderbergh, que há muito não brilha, não se redime de produções abaixo da média como A Toda Prova e Contágio, mas entrega um filme de personagens genuínos e com os quais simpatizamos.

    Sim, há muitas cenas de striptease e bonitões dançando seminus para divertir o público feminino. Mas há também grande humanidade no personagem Mike, um cara que apenas quer o melhor para sua vida como todos nós. É isso que faz o filme ir além de peitorais e bíceps suados sob holofotes.