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    MALÉVOLA

    Bem-humorada, fábula com Jolie supera expectativas
    Por Cristina Tavelin
    29/05/2014

    Eis que a Disney apresenta uma boa surpresa de onde não se esperava absolutamente nada: Malévola, longa baseado no clássico A Bela Adormecida a partir da perspectiva de uma das vilãs mais temidas das fábulas. Esta é a primeira produção dirigida por Robert Stromberg, resposável por efeitos visuais em Piratas Do Caribe - No Fim Do Mundo, Jogos Vorazes e O Labirinto Do Fauno

    Pelo mote, poderíamos ser induzidos a imaginar um dramalhão mergulhado em autopiedade por parte da protagonista vivida por Angelina Jolie. Felizmente, as aparências às vezes enganam e essa releitura bem-humorada foge da maioria dos clichês, entre eles, do embate maniqueísta entre bem e mal.

    A trama apresenta os primórdios da vilã, quando ainda era uma fada alada num reino de seres mágicos. Este reino, diferente daquele dos humanos logo em frente, não possuia rei e vivia em harmonia. Uma crítica interessante aos males trazidos pela imposição da autoridade.

    A calma dos seres mágicos é levemente quebrada quando um jovem rapaz adentra a floresta para tentar roubar um tesouro das fadas. Ali, conhece a também jovem Malévola. Deste encontro, surge um afeto que parece, desde o início, tomar um rumo suspeito. 

    Anos mais tarde, a então fada será detituída de algo importante numa traição e se tornará um ser das sombras, com cajado na mão e um corvo no ombro para lhe servir de olhos nas alturas. Por meio dele, saberá do batizado da filha do rei, para o qual não foi convidada, e joga a famosa maldição da agulha de tear: a menina cairá em sono profundo um dia após seu aniversário de 16 anos. Para tentar mudar o destino da pequena Aurora, o rei a envia para a floresta.

    É difícil contornar a história de Malévola sem dar spoilers, pois os momentos de traição e descrença no amor são fundamentais para a construção da personalidade desta personagem que, nesta versão, não tem uma maldade original, mas sim baseada nos traumas pelos quais passou. O jovem que a encontra na floresta também é afetado pela miséria do reino onde mora. As vivências, de fato, podem transformar para pior.

    Será Aurora quem levará Malévola a um conflito consigo mesma. Até então, precisou ser forte demais para defender o reino das fadas da ambição dos homens. Quando dirige a palavra ao primeiro rei dizendo que ele "não é o seu rei", destitui sua figura de autoridade e ganha um ar quase revolucionário. O embate das forças da natureza com as tropas humanas rende ótimos momentos.

    Aliás, a ambientação em geral é muito bem feita e de aspecto sombrio. Mas o 3D não faz tanta diferença neste filme; ao menos da forma como foi utilizado, não causa grande impacto. Numa sala de cinema comum a experiência não será menos interessante.

    A filha de Jolie faz Aurora por volta dos três anos de idade. No longa, a encontra por acaso na floresta e pede colo. A cena ficou doce e engraçada. Quando se reencontram cerca de 13 anos depois, Aurora já é Elle Fanning e vice-versa. O sorriso da atriz é tão contagiante que passa exatamente o ar cândido dessa figura.

    A interação entre as protagonistas mostra um retrato do companheirismo feminino, muito distante do viés machista no qual a maioria dos filmes se apóia, onde a mulher precisa necessariamente ser salva por um homem numa perspectiva débil do romantismo. Valente e Frozen deram recados semelhantes.

    As cenas de ação não deixam nada a desejar e o longo embate final faz, literalmente, as coisas pegarem fogo. Destaque para Sharlto Copley cheio de maldade no coração. Obviamente, é um filme focado no público mais jovem com gosto pelo fantástico. Não espere personagens complexos ou grandes dilemas a serem resolvidos. 

    Bem-humorado, empolgante e sem subestimar a inteligência de espectadores de qualquer idade, Malévola surpreende e nem joga toda sua luz sobre a eterna celebridade Angelina Jolie. Mas, claro, um "carão" de modelo em uma cena de luta ou outra não poderia faltar.