Malévola

MALÉVOLA

(Maleficent)

2014 , 97 MIN.

10 anos

Gênero: Fantasia

Estréia: 29/05/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Robert Stromberg

    Equipe técnica

    Roteiro: Bill Peet, Charles Perrault, Erdman Penner, Joe Rinaldi, Linda Woolverton, Milt Banta, Ralph Wright, Ted Sears, Winston Hibler

    Produção: Joe Roth

    Fotografia: Dean Semler

    Trilha Sonora: James Newton Howard

    Estúdio: Jolie Pas, Roth Films, Walt Disney Pictures

    Montador: Chris Lebenzon, Richard Pearson

    Distribuidora: Disney

    Elenco

    Adam Bond, Alfred Camp, Angelina Jolie, Brenton Thwaites, Craig Izzard, David Boat, Elle Fanning, Hannah New, Imelda Staunton, India Eisley, Juno Temple, Kenneth Cranham, Lesley Manville, Max Cavenham, Miranda Richardson, Raf Cross, SamRiley, Scott Bradley, Sharlto Copley, Sophie-Anna Brough

  • Crítica

    29/05/2014 13h03

    Eis que a Disney apresenta uma boa surpresa de onde não se esperava absolutamente nada: Malévola, longa baseado no clássico A Bela Adormecida a partir da perspectiva de uma das vilãs mais temidas das fábulas. Esta é a primeira produção dirigida por Robert Stromberg, resposável por efeitos visuais em Piratas Do Caribe - No Fim Do Mundo, Jogos Vorazes e O Labirinto Do Fauno

    Pelo mote, poderíamos ser induzidos a imaginar um dramalhão mergulhado em autopiedade por parte da protagonista vivida por Angelina Jolie. Felizmente, as aparências às vezes enganam e essa releitura bem-humorada foge da maioria dos clichês, entre eles, do embate maniqueísta entre bem e mal.

    A trama apresenta os primórdios da vilã, quando ainda era uma fada alada num reino de seres mágicos. Este reino, diferente daquele dos humanos logo em frente, não possuia rei e vivia em harmonia. Uma crítica interessante aos males trazidos pela imposição da autoridade.

    A calma dos seres mágicos é levemente quebrada quando um jovem rapaz adentra a floresta para tentar roubar um tesouro das fadas. Ali, conhece a também jovem Malévola. Deste encontro, surge um afeto que parece, desde o início, tomar um rumo suspeito. 

    Anos mais tarde, a então fada será detituída de algo importante numa traição e se tornará um ser das sombras, com cajado na mão e um corvo no ombro para lhe servir de olhos nas alturas. Por meio dele, saberá do batizado da filha do rei, para o qual não foi convidada, e joga a famosa maldição da agulha de tear: a menina cairá em sono profundo um dia após seu aniversário de 16 anos. Para tentar mudar o destino da pequena Aurora, o rei a envia para a floresta.

    É difícil contornar a história de Malévola sem dar spoilers, pois os momentos de traição e descrença no amor são fundamentais para a construção da personalidade desta personagem que, nesta versão, não tem uma maldade original, mas sim baseada nos traumas pelos quais passou. O jovem que a encontra na floresta também é afetado pela miséria do reino onde mora. As vivências, de fato, podem transformar para pior.

    Será Aurora quem levará Malévola a um conflito consigo mesma. Até então, precisou ser forte demais para defender o reino das fadas da ambição dos homens. Quando dirige a palavra ao primeiro rei dizendo que ele "não é o seu rei", destitui sua figura de autoridade e ganha um ar quase revolucionário. O embate das forças da natureza com as tropas humanas rende ótimos momentos.

    Aliás, a ambientação em geral é muito bem feita e de aspecto sombrio. Mas o 3D não faz tanta diferença neste filme; ao menos da forma como foi utilizado, não causa grande impacto. Numa sala de cinema comum a experiência não será menos interessante.

    A filha de Jolie faz Aurora por volta dos três anos de idade. No longa, a encontra por acaso na floresta e pede colo. A cena ficou doce e engraçada. Quando se reencontram cerca de 13 anos depois, Aurora já é Elle Fanning e vice-versa. O sorriso da atriz é tão contagiante que passa exatamente o ar cândido dessa figura.

    A interação entre as protagonistas mostra um retrato do companheirismo feminino, muito distante do viés machista no qual a maioria dos filmes se apóia, onde a mulher precisa necessariamente ser salva por um homem numa perspectiva débil do romantismo. Valente e Frozen deram recados semelhantes.

    As cenas de ação não deixam nada a desejar e o longo embate final faz, literalmente, as coisas pegarem fogo. Destaque para Sharlto Copley cheio de maldade no coração. Obviamente, é um filme focado no público mais jovem com gosto pelo fantástico. Não espere personagens complexos ou grandes dilemas a serem resolvidos. 

    Bem-humorado, empolgante e sem subestimar a inteligência de espectadores de qualquer idade, Malévola surpreende e nem joga toda sua luz sobre a eterna celebridade Angelina Jolie. Mas, claro, um "carão" de modelo em uma cena de luta ou outra não poderia faltar.



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