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    MAMONAS PRA SEMPRE

    Sem olhar crítico, filme é pobre cinematograficamente e só vai agradar aos fãs<br />
    Por Angélica Bito
    18/03/2010

    Fenômeno da indústria musical em meados dos anos 90, a banda Mamonas Assassinas vendeu, em menos de um ano, 2,4 milhões de discos e teve um fim trágico em acidente de avião tudo em 1996. O episódio ainda está minimamente fresco na mente dos brasileiros e o documentário Mamonas Para Sempre, o Doc tem um claro apelo popular.

    Mas nem tudo são flores no longa de Cláudio Kahns (Eu Eu Eu José Lewgoy) por conta de sua abordagem completamente unilateral e ingênua. Embora dedicado aos fãs dos Mamonas, não chega a ouvir nenhum deles. Grande parte do filme é constituída por imagens de arquivo pessoal, mal filmadas, que, por mais que sejam de grande valor como registro da época e da intimidade dos membros da banda, acabam tornando a experiência cansativa ao espectador.

    Os depoimentos são de pessoas que trabalharam com a banda – como o produtor musical Rick Bonadio, proferindo os comentários mais pertinentes –, familiares e locutores somente de uma rádio de São Paulo. Ou seja, contada por meio somente desses depoentes, a narrativa de Mamonas Para Sempre, o Doc acaba sendo empobrecida. Exceto por Bonadio, todos acabam comentando passagens as quais as pessoas que viveram anos 90 e testemunharam a carreira do grupo já conhecem.

    Ao abordar a banda Utopia, que antecedeu o fenômeno de vendas, o filme também aborda essa transição radical que se deu na musicalidade do grupo. Tópico interessante, mas pouco explicado. As animações inseridas nos créditos dos depoentes e entre suas passagens têm o objetivo de inserir esse humor tão presente na banda, mas são completamente desnecessárias e até redundantes.

    Mamonas Para Sempre, o Doc não traz nada do que já não ficamos sabendo na exaustiva cobertura midiática do fenômeno Mamonas Assassinas, desde a ascensão até a tragédia que encerrou bruscamente a carreira do grupo. Existe um potencial, mas ele é mal explorado.

    Não há nenhum olhar crítico no documentário. É um filme de fã para fãs. Cinematograficamente, é pobre, mas certamente tem apelo junto aos admiradores do trabalho do grupo.