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    MANDELA - LUTA PELA LIBERDADE

    Por Celso Sabadin
    10/10/2008

    O diretor dinamarquês Bille August já foi um dos mais cultuados pela mídia especializada e pelos festivais internacionais, graças aos seus filmes Pelle, o Conqusitador e Jerusalém. Perdeu depois um pouco de crédito com as adaptações literárias A Casa dos Espíritos e Os Miseráveis. Agora, chega ao circuito brasileiro Mandela - Luta Pela Liberdade, que August realizou no ano passado. Esperava-se mais. Afinal, Nelson Mandela, uma das personalidades políticas mais marcantes do século 20, deveria (ou poderia) render um filme igualmente fascinante. Não rendeu.

    Mandela - Luta Pela Liberdade não pretende ser uma cinebiografia do ex-presidente da África do Sul. A ação se inicia em 1968, quando o líder político, já preso (vivido pelo pouco expressivo Dennis Haysbert, do seriado 24 Horas), já é uma personalidade idolatrada pelos negros e temido pela minoria branca daquele país. O filme transcorre sob o ponto de vista do sargento James Gregory (Joseph Fiennes, de Lutero), que assume a direção da penitenciária onde se encontra o famoso detento. A princípio, Gregory é radicalmente racista, considera os negros como animais e está disposto a qualquer sacrifício para que os brancos não sejam ameaçados no controle político do país. Aos poucos, porém, quanto mais ele toma contato com Mandela, mais começa a rever seus conceitos.

    Produzido por uma verdadeira força-tarefa multinacional (que levantou capitais na Alemanha, França, Bélgica, África do Sul, Itália, Luxemburgo e Inglaterra), o filme transcorre dentro de uma narrativa excessivamente tradicional, de um extremo classicismo que acaba sufocando qualquer possibilidade de maiores vôos criativos e/ ou emocionais. Sua estética se assemelha a das tradicionais minisséries de televisão, na qual o medo de errar é maior que a vontade de criar.

    É certo que os valores abordados pelo filme são dignos de registro (a tomada de consciência, a tentativa de reparação do próprio erro, o crescimento humanista, redenção, etc...), mas tudo é retratado de forma tão burocrática que compromete o que uma obra cinematográfica deve ter de mais importante: a emoção.

    O roteiro foi escrito a partir do próprio livro de memórias de James Gregory. E ficou frio.