cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • GAMES
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    Mank é viagem maçante ao passado de Hollywood

    David Fincher leva espectador em viagem à Era de Ouro de Hollywood
    Por Daniel Reininger
    30/03/2021 - Atualizado há 3 meses

    Quem gosta de cinema e dos bastidores de Hollywood tem tudo para amar filme do diretor David Fincher (Clube Da Luta), que resolveu abordar a Era de Ouro de Hollywood com Mank. Essa é a história de Herman J. Mankiewicz, co-roteirista de Cidadão Kane que quase ficou sem créditos no filme que é considerado um dos melhores longas de todos os tempos.

    Indicado em dez categorias ao Oscar 2021, a obra é baseada na história real dos bastidores do clássico e explora a relação conturbada de Welles com o roteirista Herman J. Mankiewicz, com base em um debate de décadas sobre quem realmente é o responsável pela grandeza do filme.

    Mank foi filmado em preto e branco e conta com o ator Gary Oldman (Batman - O Cavaleiro Das Trevas) como Mank que, ao lado de e Orson Welles, recebeu o Oscar de Melhor Roteiro Original em 1942, por Cidadão Kane.

    Estilizado como um filme da velha Hollywood, o longa traz uma estrutura parecida com o de Cidadão Kane, ao mostrar momentos diversos da vida de Mank. A trama mostra os problemas enfrentados pelo escritor, como seu vício em bebidas e apostas em uma jornada pela Hollywood da década de 1930, enquanto nos anos 40, ele corre contra o tempo para terminar o roteiro do filme de sucesso.

    Enquanto tenta simular a narrativa de Cidadão Kane e evoca a aura de mistério e sedução daquele que é uma obra de arte do cinema, Mank se limita a mostrar um protagonista decadente e inconveniente que, aparentemente num golpe de sorte, escreve um roteiro inspirado após se sentir pessoalmente ofendido pela maneira como Hollywood tratou um candidato democrata nas eleições. Pois é, a motivação é rasa, no melhor caso, e irrelevante para a maior parte dos espectadores.

    Pior de tudo, falta emoção no longa. Mank prefere brigar com seus desafetos com constantes atitudes passiva-agressivas e Oldman entrega falas agressivas com delicadeza e habilidade. Ele se recusa a participar de qualquer mudança positiva, mas critica aqueles que vão contra suas crenças. Ele não tem convicção para se posicionar. É um homem vazio, repleto de comentários sarcásticos e desagradável, adjetivos complicados para o protagonista de um filme. Ele parece viver de birra e só.

    Mesmo assim, não há dúvidas de que o filme traz um elenco invejável, com atuações consistentes e dignas de indicação ao Oscar, além de muita qualidade técnica. O visual preto e branco, a montagem e os cenários invocam o ar dos anos 30 e 40 e fazer essa viagem de volta ao passado do cinema é o grande trunfo de Mank, enquanto a história de seu protagonista é só a desculpa para mostrar a Era de Ouro do cinema sob uma ótima crítica.

    É uma surpresa Mank concorrer a tantos prêmios no Oscar. Mesmo com as performances de alto nível de Oldman e Seyfried e perfeição técnica, o longa não é capaz nem de divertir, nem de emocionar e nem de chocar, afinal é frio de distante. O raso roteiro não aprofunda seus personagens e a principal função dessa obra é servir como um túnel do tempo para a Hollywood do passado. E olhe lá. 

    Diante de outras obras como Nomadland, Minari, Bela Vingança, Meu Pai, Som do Silêncio e Judas e o Messias Negro, Mank é o candidato mais fraco à Melhor Filme, mas com muitas chances de ganhar por fazer o que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas adora: homenagear a si mesmo.