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    MAPAS PARA AS ESTRELAS

    Cronenberg apresenta retrato apocalíptico de Hollywood
    Por Gustavo Assumpção
    19/03/2015

    Tão excêntrico quando Hollywood é Mapas Para As Estrelas, novo trabalho de David Cronenberg que chega aos cinemas depois de uma recepção morna no último Festival de Cannes. Estrelado por Julianne Moore, o filme traz uma visão apocalíptica do mundo das celebridades, construindo uma relação direta entre o glamour e a psicopatia. 

    O retrato de uma Hollywood perversa não é exatamente novidade no cinema, mas Mapas Para As Estrelas exagera na desumanização de seus personagens, estabelecendo uma narrativa que choca, mas pouco tem a dizer. O roteiro de Bruce Wagner é generalista e fora de foco, algo que nem as atuações de alto nível conseguem elevar.

    Julianne Moore (prêmio de melhor atriz em Cannes), carrega nas costas várias sequências, mas sua personagem é apenas um estereótipo, uma caricatura de um sistema que aos olhos do diretor parece uma celebração das aparências. Ela é Havana Segrand, uma atriz cansada dos blockbusters que agora parece disposta aos "filmes de arte". Conta histórias que parecem por vezes fantasiosas, como o pouco explicado abuso sexual sofrido na infância, e vê fantasmas.

    Seu destino se cruza com Agatha (Mia Wasikowska, em grande atuação), uma jovem garota psicopata com longas luvas de couro que escondem cicatrizes de um acidente (acidente?) em que teve boa parte do corpo queimado. Ela tem um irmão, Benjie Weiss (Evan Bird), uma jovem promessa da indústria que vive entre filmes pipoca e problemas com drogas. 

    Hollywood arruina as pessoas, mas também permite que os já arruinados se estabeleçam. É uma dualidade interessante que fica na superfície do texto de Wagner, nunca profundo como poderia ser. Isso se constrói com a ajuda dos outros personagens, como o chofer aspirante a ator Jerome (Robert Pattinson).

    É fato que Cronenberg, de grandes trabalhos como Marcas da Violência e A Mosca, não está em sua melhor forma. Ao empurrar seus personagens para o mais grotesco que podem chegar, o diretor parece disposto a criticar uma procura exagerada por reconhecimento que é a base da vida egocêntrica da alta classe hollywoodiana. Uma mensagem óbvia construída por um caminho controverso.