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    MAR ABERTO

    Por Angélica Bito
    22/05/2009

    Tubarões metem medo. Tempestades em alto-mar metem medo. Personagens perdidos e sem perspectivas de salvação também. Só que, se mal trabalhados, esses elementos podem provocar o riso em vez do medo. No meio de tudo isso, eis que surge Mar Aberto, longa norte-americano totalmente independente e, aparentemente, sem muitas ambições, que chega como uma verdadeira revelação na arte de deixar o espectador preso à cadeira de tão tenso. E, veja só, sem usar excesso de sangue, pedaços de corpos e monstros feios.

    Parece até que estou falando de algum filme feito por Alfred Hitchcock, mas não é bem por aí. O terror de Mar Aberto é somente sugerido: o diretor Chris Kentis nos joga os fatos e as possíveis conseqüências é que metem medo. Ele conta uma história verídica (e, aparentemente, comum entre mergulhadores) do casal Susan (Blanchard Ryan) e Daniel (Daniel Travis). Estressados na cidade grande, resolvem tirar férias de seus respectivos trabalhos em uma viagem a um balneário marítimo. Como qualquer turista, eles passeiam na cidade, compram souvenirs, reclamam do ar-condicionado pifado do quarto de hotel e saem à caça de pernilongos que teimam em atrapalhar o sono no meio da madrugada. Eis que eles resolvem sair em um passeio de mergulho com os outros turistas. Os instrutores alugam o equipamento necessário à equipe e a leva ao alto-mar para o passeio. Tudo normal, até que o casal protagonista é esquecido pelo barco. Ninguém, nem mesmo os monitores, se dá conta que faltam duas pessoas na embarcação quando ela volta à terra firme. Nem mesmo Susan e Daniel, que continuam mergulhando até perceberem que estão sozinhos no meio daquela água toda.

    Filmado totalmente com câmeras digitais, Mar Aberto assusta por mostrar situações triviais, que poderiam acontecer comigo ou com você, leitor. O casal, sem possibilidades de salvação, começa a ter de lidar com os predadores marítimos, como peixes, águas-vivas e, claro, os temidos tubarões. Que, para provocar mais suspense ainda, não atacam os humanos como em Tubarão (1975) e seus filhotes. Eles chegam de mansinho, rodeiam os protagonistas, fazendo com que sua tensão aumente a cada braçada.

    Justamente por isso, Mar Aberto é capaz de dar mais medo do que a maioria das produções de terror que vemos por aí. Exibido no festival de Sundance, o filme, que custou US$ 130 mil e foi financiado pelo diretor e sua mulher, foi comprado pela distribuidora Lion's Gate por US$ 25 milhões, tamanho sucesso que fez no evento. Filmado com uma equipe que não passou de três pessoas, Mar Aberto tem um clima que beira o intimista. Seu sucesso está no fato de se apoiar no real, no simples, no verossímil, para fazer com que o espectador, assim como nossos heróis, não vejam a hora de ver esse verdadeiro pesadelo chegar ao fim. Não importa muito se o final é feliz ou não, o que importa é que ele acabe. E logo.