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    MAR NEGRO

    Zumbis famintos, litros de sangue e pegada nacional
    Por Roberto Guerra
    08/01/2014

    Você provavelmente nunca ouviu falar em Rodrigo Aragão. Este capixaba talentoso é o único cineasta brasileiro que faz filmes de terror atualmente no país. Cinema de guerrilha: seus três primeiros longas foram realizados sem incentivos fiscais, com pouca verba e atores desconhecidos. Já percorreram festivais em várias partes do mundo e foram vendidos para países como EUA, Holanda, Bélgica, Alemanha e Japão. Mar Negro é o primeiro que chega ao circuito comercial brasileiro.

    O filme é pura diversão. Com um roteiro que passa longe de obviedades, cheio de soluções criativas e boas surpresas, Mar Negro conta a história de uma estranha contaminação que atinge uma pequena vila de pescadores. Peixes e crustáceos se transformam em horrendas criaturas e estas, por sua vez, começam a infectar os moradores transformando-os em zumbis vorazes.

    Mesmo contando com poucos recursos, o filme mostra um rigor artístico evidente nos efeitos visuais e caracterizações. O herói do filme chama-se Albino, tímido funcionário de um boteco à beira mar. Ele é apaixonado por Indiara, caiçara casada com um pescador que, numa noite de trabalho, acaba fisgando um estranho animal que o fere no braço. Quando os mortos-vivos começam a tomar conta da vila, Albino decide fazer de tudo para proteger sua amada.

    Paralelamente, o lugar está prestes a inaugurar seu primeiro bordel. O ápice do filme se dá na noite de batismo do prostíbulo, com direito a muita carnificina, sacanagem, um clone de Machete (personagem de Danny Trejo no filme homônimo) e até mesmo um travesti botando pra quebrar com uma metralhadora giratória. O filme é uma ousadia só e, mesmo repleto de referências a clássicos do horror, tem um pegada bem autoral.

    Realizador dos também inventivos Mangue Negro e A Noite do Chupacabras, Aragão faz de Mar Negro um filme de horror audacioso e muito divertido, algo que não se vê há muito tempo. "É legal entrar no cinema é ver o povo brasileiro tendo problemas diferentes, como lutar contra monstros por exemplo", me disse o diretor em entrevista durante o Festival de Vitória 2013.

    Sim, é bacana e muito bem-vindo o cinema de Rodrigo Aragão, afinal, onde mais você poderia ver um filme com uma baleia jubarte zumbi?