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    MARÉ DE AZAR

    Protagonizada por Jason Bateman, comédia é diversão inteligente sobre empresa e lembra <em>The Office</em><br />
    Por Heitor Augusto
    13/05/2010

    Não é à toa que Mike Judge, o diretor de Maré de Azar, é também o criador dos personagens Beavis e Butt-Head. Tudo que há de nonsense na dupla de adolescentes de cabeça vazia está na sua nova comédia, protagonizada por Joel (Jason Bateman), dono de uma fábrica de extratos – daí o título original Extract.

    Mas Maré de Azar também tem outros parentescos cinematográficos. Percebe-se a mesma busca de Juno em afirmar que, apesar dos pesares, a vida continua. Também há um pouco de (500) Dias com Ela, especialmente na falta de tato Joel com as mulheres.

    Apesar de estarem separados pelos temas, Judge, Jason Reitman (gravidez) e Marc Webb (boy meets gilrs) dirigem de maneira muito parecida. A música geralmente completa o texto dito por um personagem que não acompanha o que ocorre à sua volta. O protagonista é, de fato, o centro do filme: o que se passa ao redor esbarra nele, mesmo que lhe passe despercebido. Uma história que vai e volta, sempre alcançando o herói (ou heroína, se for o caso).

    Assim é Maré de Azar. Um trabalhador convencional cercado de “dervirtuados”: um amigo do tipo guru que parece ter embarcado numa máquina do tempo direto dos anos 60 (Ben Affleck); uma garota sedutora e trambiqueira que é contratada (Mila Kunis); um gigolô sem cérebro algum (Dustin Milligan) ou um vizinho insuportavelmente chato (David Koechner).

    No quesito nonsense, o filme é um primo em terceiro grau de Um Homem Sério. Só que, se nos irmãos Coen o objetivo era botar o espectador para pensar, Maré de Azar abdica da sofisticação e almeja apenas passar o tempo.

    O pulo do gato que torna o filme de Judge uma opção do tipo “diversão inteligente” (exatamente como Juno e (500) Dias com Ela) é ora usar os clichês, ora fazer muita piada com eles. Pode ser por meio de um mexicano (a velha convenção do imigrante) ou pelo sotaque sulista (tem graça tirar sarro de redneck?). Ainda sobra uma pitada de ironia sobre como Hollywood representa o romance.

    Sem grandes esforços, Judge faz de Maré de Azar uma ratificação do tipo bom moço, tão caro ao cinema americano. Personagens-tipos, ambientados em uma empresa, tornam o filme um relaxamento para quem busca dar risadas com um filme minimamente elaborado.