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    MARIDO POR ACASO

    <p>Duzentos por cento previs&iacute;vel, prega a famosa apologia do emocional sobre o racional</p>
    Por Celso Sabadin
    08/08/2009

    De tanto criticar a incrível capacidade do cinema norte-americano de fazer várias vezes o mesmo filme, vou acabar experimentando do meu próprio veneno e verificar – de perto – a minha incrível capacidade de escrever várias vezes a mesma crítica. Que ironia! Por outro lado, fazer o quê, se há filmes que repetem exaustivamente as mesmas fórmulas que o cinéfilo já se cansou de ver em trabalhos anteriores?

    É o que acontece (novamente) em Marido por Acaso, comédia romântica dirigida pelo ator e eventual diretor Griffin Dunne. Escrito a seis mãos – todas femininas, todas estreantes no cinema –, o roteiro peca por uma profunda ausência de criatividade, explorando pela enésima vez um argumento dos mais manjados. Veja: Emma (Uma Thurman) é uma apresentadora que dá conselhos amorosos em seu programa de rádio. Para ela, o bom relacionamento é aquele em que as pessoas dividem gostos e atitudes em comum, sem grandes surpresas, sem “faíscas” de amor, nem príncipes encantados. Certo dia, um de seus conselhos faz com que sua ouvinte Sofia (Justina Machado) rompa o noivado com o bombeiro Patrick (Jeffrey Dean Morgan, de P.S. Eu Te Amo e Watchmen - O Filme). Revoltado, Patrick e um amigo hacker invandem um site de registro civil e alteram o estado civil de Emma de solteira para casada. Resultado: quando Emma vai se casar com Richard (Colin Firth, de O Diário de Bridget Jones), ela fica sabendo que, legalmente, “já é casada”. Agora, ela terá de ir atrás de Patrick (que ela nem sequer conhece) para tentar resolver a situação. E é claro que... Bom, o resto todo mundo já sabe.

    Marido por Acaso é o chamado “mais do mesmo”. Duzentos por cento previsível, ele prega a famosa apologia do emocional sobre o racional, da alegria de viver sobre os falsos conceitos de estabilidade, da beleza do sonho sobre a crueza da realdade, enfim, tudo aquilo que faz com que o espectador saia livre, leve e solto do cinema. Ah, claro! O filme se passa em Nova York, onde mais?!

    Para não dizer que o programa é pura perda de tempo, restam as boas interpretações de um elenco carismático, o ritmo ágil e algumas belas cenas da cidade que mais abriga comédias românticas no cinema. Não falta nem aquela tradicional tomada de helicóptero, enquadrando um carro sobre uma ponte, para depois abrir a câmera e, sem corte, revelar o famoso horizonte da cidade. Toda comédia romântica tem. Deve ser lei por ali.