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    MARINA

    Cinebiografia é agradável e dirigida com competência
    Por Roberto Guerra
    14/04/2014

    São muitos os filmes que carregam a mensagem "jamais desista de seus sonhos". E na maioria deles o protagonista é alguém que amarga um sem-número de percalços até alcançar seus objetivos. Essa coprodução belgo-italiana não foge ao modelo; mas se a história de redenção é como muitas outras que já acompanhamos nas telas, ao menos é bem contada pelo diretor Stijn Coninx.

    Marina tem roteiro harmonioso, boas atuações e uma trilha sonora envolvente, daquelas que fazem o espectador sair da sala cantarolando. É um filme biográfico, baseado nas memórias de infância do cantor ítalo-belga Rocco Granata. Rocco (Cristiaan Campagna) é um menino de 10 anos quando seu pai Salvatore (Luigi Lo Cascio) decide partir da Calábria para a Bélgica onde vai trabalhar numa mina de carvão. Seu intuito é economizar dinheiro para um dia abrir a própria forja na Itália.

    O plano de Salvatore não dá certo a médio prazo e Rocco é obrigado a se mudar com sua mãe e sua irmã para junto do pai, tornando-se mais um jovem imigrante italiano na cidade de Limburgo. Lá é esnobado pelos garotos belgas, tem dificuldades com o língua, e se vê forçado a conviver basicamente com outros italianos em um bairro pobre e lamacento.

    Com talento para música, Rocco persiste em seus sonhos, mesmo contra a vontade do pai, que o aconselha a procurar "um trabalho de verdade" e desistir das pretensões artísticas.  Seu único apoio vem da mãe, vivida por Donatella Finocchiaro, que chega a lavar as roupas de outros mineiros escondida do marido para ajudar Rocco a comprar um acordeão.

    Na fase adolescente/adulta o personagem é muito bem interpretado pelo ator Matteo Simoni, que dá vida a um jovem voluntarioso e romântico. Um dos pontos fortes do longa é a história de amor entre o aspirante a cantor e uma jovem belga (Evelien Bosmans), filha do dono do armazém do bairro. Será esse amor arrebatador que vai inspirar Rocco a escrever seu primeiro sucesso, a música que dá título ao filme.

    Marina é convencional, não foge dos clichês fundamentais do gênero, mas feito com esmero e competência. Alguns subtextos do longa, como o racismo e a marginalização de imigrantes, são tratados en passant com o claro propósito de sustentar o clima agradável e romântico que permeia a obra. E não é difícil entrar na cadência melodiosa de Marina, tanto o filme quanto a música.