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    MARTYRS

    Longa tenta chocar, mas não chega nem perto do original
    Por Daniel Reininger
    04/05/2016

    O remake do interessante Martyrs, filme de 2008 do Pascal Laugier que não ganhou muito espaço por aqui, é uma obra sem graça, confusa e sem o menor apelo. O longa tenta chocar, mas não chega nem perto do original, que funcionava mais como uma experiência, do que como uma narrativa, e é ao tentar focar na história que a versão norte-americana se perde.

    Na trama, quando Lucy escapa de um grupo de pessoas que a torturavam sem fins claros, ela é enviada para um orfanato católico onde faz amizade com Anna. Dez anos depois, as duas melhores amigas continuam juntas, mas Lucy ainda enfrenta traumas psicológicos de seu cativeiro e pretende encontrar as pessoas responsáveis por sua tortura e fazê-los pagar, com ou sem a ajuda de Anna. Só que a verdade por trás de sua captura é muito pior do que poderiam imaginar.

    Entre os problemas do longa está a falta de ritmo da narrativa, cansativa, a história se desenrola de forma inconsistente, focando demais em cenas desnecessárias ou se delongando em cenas de tortura que, embora sejam o foco do filme, nunca são viscerais o suficiente para causar o impacto desejado, algo que o longa original faz muito melhor.

    O remake pelo menos tenta abordar a questão filosófica central à trama de forma diferente do filme de 2008 e isso é motivo de elogios ao diretor Mark L. Smith, o problema é que a execução é falha e o longa parece cada vez mais perdido em questões superficiais, as quais os diretores Kevin e Michael Goetz tentam compensar com falas de efeito nada convincentes.

    Uma boa decisão foi escolher as atrizes de TV Troian Bellisario (Pretty Little Liars) e Bailey Noble (True Blood) como protagonistas. Elas convencem no papel de amigas, uma atormentada por lembranças do passado e a outra cética, porém sempre dispostas a se ajudarem. A presença de Kate Burton como grande ameaça é muito bem-vinda também.

    Martyrs é um filme com boa ideia e execução falha. A violência é o foco do longa, mas não chega nem perto do original, na verdade, é tudo bem genérico e isso é um grande problema para um longa sem muito conteúdo fora as cenas de tortura. A discussão filosófica é fraca e a forma como o sobrenatural e a loucura são explorados beira o ridículo. Se você quer mesmo uma experiência aterrorizante, o iIdeal é ficar com Martyrs de 2008.