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    MATCH POINT

    Por Angélica Bito
    22/05/2009

    O cinema de Woody Allen é muito bem caracterizado. Afinal, ele já está fazendo filmes há quarenta anos. Dessa forma, o nome do diretor tornou-se quase um gênero cinematográfico. Diálogos ácidos e espertos, personagens histéricos e locações nova-iorquinas são características dos filmes de Allen. Ou melhor, eram. Pelo menos é isso que Ponto Final - Match Point significa na carreira do cineasta. Não apenas pela mudança do cenário da cidade norte-americana à capital inglesa, mas também por toda a construção da trama e dos personagens.

    Ponto Final - Match Point gira em torno da sorte. Mais precisamente do irlandês Chris Wilton (Jonathan Rhys Meyers), que se muda para Londres a fim de dar aulas de tênis após uma carreira como esportista profissional. Em um clube freqüentado por endinheirados, o protagonista conhece o playboy Tom Hewett (Matthew Goode), responsável pela inserção de Chris nesse mundo dos bem-sucedidos. Logo, ele engata um relacionamento com a irmã do melhor amigo, Chloe (Emily Mortimer), mas está de olho na sensual namorada americana de Tom, Nola (Scarlett Johansson). Com a ajuda dos ricos Hewetts, Chris arruma um bom emprego, estabilizando-se com conforto e todo o luxo que pode ter em Londres. Mas não consegue tirar a cabeça de Nola, bela que o leva a cometer algumas loucuras.

    O que começa como um drama nos moldes de Tentação graças à troca de casais e infidelidades acaba tomando rumos de um thriller. Na medida em que o protagonista se envolve tanto com Nora quanto com o sucesso - sempre sabendo que um pode anular o outro -, o espectador percebe que tudo na vida é baseado na sorte. E é essa a idéia que Allen quer passar em seu roteiro indicado ao Oscar.

    Auxiliado pela performance pertinentemente fria de Jonathan Rhys Meyers (Velvet Goldmine) e pelo carisma de Scarlett Johansson, Allen consegue reinventar seu cinema, mostrando uma nova via à sua trajetória cinematográfica. Muitas vezes lembrando alguns filmes de Alfred Hitchcock, Ponto Final - Match Point tem um roteiro fascinante, capaz de fazer sentido e se encaixar a cada reviravolta - especialmente no final, de ironia única, assim como a própria sorte do protagonista.