cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    MATO SEM CACHORRO

    Longa se perde numa indecisão de estilos e causa tédio
    Por Cristina Tavelin
    03/10/2013

    Uma comédia romântica traz um cachorrinho fofo no melhor estilo sessão da tarde. Essa foi a linha seguida pelo diretor Pedro Amorim em Mato Sem Cachorro. Entretanto, há uma questão pendente em seu longa de estreia: ele tem cara de "para toda a família", mas é recheado de palavrões e piadas de baixo calão. Dessa forma, torna-se impróprio para parte do público. Paradoxo de difícil solução.

    Na trama, a radialista Zoé (Leandra Leal) e o preguiçoso Deco (Bruno Gagliasso) se conhecem após o acidente que quase mata Guto, um cachorro com narcolepsia. Por causa da doença, o cãozinho desmaia quando fica muito empolgado. O casal apaixona-se e decide criá-lo mesmo com o pequeno problema. Como esperado, os dois se bancam no quesito atuação dentro da proposta exagerada.

    A partir daí, as "aventuras" são relativamente previsíveis. Entre os destaques do filme usados na tentativa de sustentar o humor, estão diversos profissionais entendidos no assunto – praticamente a ex-bancada do CQC. Danilo Gentili interpreta Leléo, primo do protagonista, enquanto Marcelo Tas e Rafinha Bastos fazem apenas passagens rápidas.

    Algumas piadas funcionam, como as relativas à eterna disputa entre São Paulo e Rio de Janeiro. Outras caem naquela vala comum ao humor brasileiro. Alguém ainda consegue achar graça em tirar sarro de um anão ou de um cara fazendo polo aquático?

    Tudo bem que o limiar entre mau gosto e escracho sempre foi muito sutil, mas, qual a necessidade de trazer fórmulas tão desgastadas à tona novamente? Eis a questão. Outra muleta apresenta-se nas celebridades. Sandy faz uma aparição para tornar o ambiente mais pop. Não faz muita diferença.

    Zoé deixa o namorado preguiçoso e volta com seu ex, Fernando (Enrique Diaz), um cara bem-sucedido por conceber um spa do ramo animal, o qual inclui bizarrices como sessões de ioga para cães. O longa acerta e diverte ao ser irônico. Pena esses momentos serem raros.

    O músico Deco, do qual ficamos sabendo a vocação apenas na metade do filme (antes disso, a única pista é um violão jogado em seu apartamento), fica enciumado com a relação da ex e resolve sequestrar o cachorro. Conta com a ajuda do primo. No meio disso tudo, passa a produzir a banda do irmão de Zoé.

    Quando se leva a sério, a exemplo das cenas tentando emocionar ou empolgar o espectador, Mato sem Cachorro cai numa pieguice infinita. A trilha sonora desses momentos causa efeito contrário ao entretenimento, vira tédio. Apenas no início, uma justaposição de Michel Teló e John Lennon soa criativa.

    Tanto nas piadas quanto em personagens, Mato Sem Cachorro abusa dos estereótipos um tanto preconceituosos diversas vezes; lembra quase um palco de stand up. Nessa indecisão de estilo, torna-se impróprio a todos - principalmente aos que ainda acreditam no cinema como arte.