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    'Matrix Resurrections' se moderniza ao satirizar próprio legado

    Keanu Reeves e Carrie-Anne Moss de volta como Neo e Trinity é um sonho realizado
    Por Daniel Reininger
    22/12/2021 - Atualizado há cerca de 1 mês

    Keanu Reeves e Carrie-Anne Moss de volta como Neo e Trinity é um sonho realizado. Se isso não é o bastante para levar você ao cinema, saiba que Matrix Resurrections está repleto de boas ideais apesar da reciclagem de antigos conceitos e é um novo capítulo satisfatório para os fãs da trilogia original.

    Impulsionado pelo carisma de seus protagonistas, há algo curioso no esforço que o filme faz para se modernizar e ainda referenciar os longas antigos. Não está nem perto de ser tão inovador e genial quanto os originais, mas analisa seu próprio lugar na história da cultura pop enquanto critica o próprio sistema de criação de Blockbusters que o originou, em uma obra que é mais como uma sátira do que uma sequência por si só.

    A trama é curiosa, mas qualquer detalhe é um spoiler que pode estragar a experiência, então melhor você descobrir como esses amados personagens voltaram indo ao cinema. O que posso dizer é que o longa está repleto de metalinguagem disfarçada de piadas ou críticas. Matrix parece consciente de sua existência e do absurdo que é uma continuação após 19 anos de uma história fechada, mas o longa faz disso uma grande piada interna e, ao mesmo tempo, motor para o desenvolvimento da narrativa.

    E como Nostalgia é uma arma poderosa, Matrix Resurrections se alimenta disso. É exatamente por esse motivo que critica sequências e reboots em sua trama em uma bizarra forma de dizer ao público que essa não é uma sequência como as outras, é algo mais cool, mais moderno, algo que entende seu lugar e faz piada à respeito.

    Esta tentativa de meta-comentário “profundo” é a grande força matriz do novo filme, a ponto de deixar de lado as impressionantes cenas de luta, pelas quais a franquia é muito conhecida. Infelizmente, as cenas de combate são curtas, cheias de efeitos confusos ou substituídas por situações absurdas que exigem um minuto de reflexão quando tudo muda rapidamente. Essa talvez seja a maior falha desse novo filme. E nem falo isso porque eu esperava um novo Bullet Time, mas sim porque esperava, pelo menos, algo no nível de John Wick, também estrelado por Reeves.

    O filme funciona mesmo por focar na intensa história de amor de Neo e Trinity e por expandir a mitologia desse universo. O sacrifício do casal em Revolutions valeu a pena, mesmo que Neo tenha dificuldade em acreditar nisso. É ótimo ver como o mundo evoluiu, as consequências da guerra e como os heróis se adaptaram ao novo status quo. Além disso, Trinity tem a oportunidade de brilhar bem no final, corrigindo a injustiça da primeira trilogia, mas é uma pena que isso aconteça tão no fim.

    Outro aspecto positivo está no bom elenco, com atuações inspiradas. Jonathan Groff rouba cada cena em que aparece como Smith e Bug, de Jessica Henwick, é com certeza a melhor novidade do filme. A versão esquisita de Morpheus é algo bem interessante e Yahya Abdul-Mateen II consegue fazer dela algo realista, fugindo da caricatura. E claro, visual dos personagens é um prazer de observar.

    Curiosamente engraçado, inevitavelmente longo e repleto de diálogos expositivos para ambientar o público no que está realmente acontecendo,  Matrix Resurrections faz o milagre de funcionar dentro de sua própria mitologia exatamente por ser capaz de entender o momento atual, dominada por redes sociais e filme de super-heróis que não se levam à sério demais, enquanto ainda traz críticas ao mundo moderno e ao conformismo. 

    Yahya Abdul-Mateen II como Morpleus em Matrix ResurrectionsReprodução

    Embora tenha problemas graves, na maior parte do tempo Matrix Resurrections é a sequência que os fãs estavam esperando para fechar algumas pontas soltas após Revolutions, mas é também uma continuação que poucos sabiam que precisavam. É sempre difícil fazer a sequência de um título que redefiniu o cinema, mas esse longa faz jus ao seu legado e atualiza a franquia de forma interessante, assim como o Despertar da Força fez com Star Wars.

    Agora é torcer para uma nova trilogia chegar aos cinemas, afinal, como eu comecei o texto dizendo: Ter "Keanu Reeves e Carrie-Anne Moss de volta como Neo e Trinity é um sonho realizado'.

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