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    ME CHAME PELO SEU NOME

    O longa se desmistifica da rotulação e fala apenas uma língua: a do amor!
    Por Thamires Viana
    17/01/2018

    Os filmes com temática LGBT têm ganhado espaço nas salas de cinema e a cada produção, nos vem a esperança em ver de perto a quebra de tabus e de preconceitos que eles estão dispostos a mostrar. E que bom é presenciar Me Chame Pelo Seu Nome, um longa que diz de cara que é capaz disso. 

    O italiano Luca Guadagnino (A Bigger Splash) dirige uma história baseada em um romance homônimo de André Aciman que traz Elio, personagem de Timothée Chalamet (Lady Bird - É Hora De Voar), um adolescente que vive com seus pais em uma casa de campo no interior da Itália. Ele é apresentado a Oliver, vivido pelo ator Armie Hammer (Animais Noturnos), um acadêmico que chega à casa da família para acompanhar uma pesquisa juntamente com o pai de Elio.

    O encontro dos dois não é um clichê de amor à primeira vista, é calmo e discreto, não entregando nada do que a trama trará em seu decorrer. Por ser criado por uma família com ideias e percepções de uma vida intelectual, Elio é curioso e isso fica evidente quando ele e Oliver passam a se aproximar. O jovem observa as atitudes e os olhares do homem sempre com ar de quem quer entender, mas sem demonstrar de cara um interesse amoroso por ele.

    É aí que Me Chame Pelo Seu Nome se diferencia de alguns romances atuais sempre mostrando casais com paixões arrebatadoras que faz o espectador se perguntar como aquilo aconteceu. O drama está longe de ser clichê e isso é um respiro para os fãs da sétima arte que se cansam de ver sequências de cenas onde existe um padrão entre se apaixonar, dar errado, aceitar desculpas e viver felizes para sempre. É ver a descoberta do amor e da sexualidade sem respingos de melodrama. 

    Falando sobre amor e só sobre isso de forma geral, Guadagnino não se importa em criar polêmicas - que convenhamos são desnecessárias existir - quando insere, por exemplo, a cena do pêssego, uma das mais comentadas na internet nos últimos dias. As tomadas de sexo não são desconfortáveis ou eróticas demais para os cinemas. O que se vê é a forma mais pura de demonstrar o amor que os dois homens estão sentindo um pelo outro. O mesmo aconteceu com Azul É A Cor Mais Quente, um drama lésbico dirigido por Abdellatif Kechicheque, que causou polêmicas ao apresentar cenas mais quentes entre duas mulheres, mas que não tinha o intuito de erotizar o longa. 

    A atuação dos atores é um show à parte. Mesmo com uma diferença de idade dentro e fora das cenas, Hammer e Chalamet têm a famosa química que tanto gostamos de ver em um casal. Os dois demonstram segurança e conforto em viver aquele amor de verão. Com tantas indicações a prêmios, é grande a torcida para que Chalamet seja mais um dos jovens atores indicados ao Oscar por seu belíssimo trabalho.

    A questão estética do longa é detalhada, com cenários inspiradores para uma história de amor e câmeras posicionadas exatamente onde deveriam. As tomadas com Elio estão sempre o colocando em primeiro plano, mas nunca tirando o foco de Oliver e deixando-o apenas como o coadjuvante que completa a trama. O enquadramento mostra os detalhes de olhares, toques e falas de forma certeira, e se você prestar atenção, verá que mesmo as cores, as músicas e os cenários estão complementando lindamente o roteiro - este escrito por James Ivory (Em Busca do Amor). 

    Me Chame Pelo Seu Nome não merece ser denominado apenas como um filme de drama gay. Ele é mais do que um drama e embora tenha sua temática voltada para um romance homossexual, se desmistifica da rotulação e fala apenas uma língua: a do amor!