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    MENINAS MALVADAS

    Por Roberto Guerra
    09/07/2004

    Confesso que a primeira coisa que me veio à cabeça antes de assistir a Meninas Malvadas foi: "Vamos a mais um filme americano idiota sobre jovens imbecilizados em sua rotina 'edificante' no colégio." Para minha surpresa, esta idéia estava desfeita 20 minutos após começada a sessão. O longa, baseado num best-seller de Rosalind Wiseman e adaptado para as telas por Tina Fey, roteirista chefe do programa Saturday Night Live, vai muito além do que pressupõe sua embalagem.

    O filme, claro, é uma comédia adolescente e intencionalmente destinada a este público. Como nas tradicionais produções do gênero que grassam por aí, mostra a divisão de classes dentro do colégio, com grupos bem definidos: os populares, formados pelas patricinhas e rapazes esportistas e bonitões, e os proscritos, a turma composta pelos nerds e todos aqueles que não fazem parte do primeiro grupo. Até aí, tudo bem, afinal, quem já passou pelos bancos escolares sabe muito bem que tais discriminações fazem parte da realidade. Mas o grande mérito de Meninas Malvadas é não reduzir os personagens, não importando a que grupo pertençam, a meros estereótipos.

    A trama gira em torno de Cady Heron (Lindsay Lohan) uma garota que desconhece o dia-a-dia socialmente cruel de um típico colégio americano de classe média. Ela vem da África, onde seus pais, zoólogos, até então a tinham educado em casa. Sentindo-se isolada e sem conhecer ninguém, num primeiro momento começa a se relacionar com os "proscritos" Janis (Lizzy Caplan) e Damian (Daniel Franzese). Mas sua beleza e ingenuidade chamam a atenção das patricinhas alienadas Regina (Rachel McAdams) e suas seguidoras puxa-sacos, Gretchen (Lacey Chabertt) e Karen (Amanda Seyfried). Janis considera esta a oportunidade perfeita para queimar o filme da todo-poderosa Regina. Para isso, convence Cady a fazer de conta que gosta das patricinhas e andar com elas até conseguir descobrir algum segredo que possa prejudicá-las. O problema é que Cady, sem se dar conta, começa a se transformar numa patricinha cruel como as outras.

    Daí em diante, acontece uma série de confusões que culmina com a descoberta de um caderno repleto de comentários venenosos e revelações bombásticas que transformam o colégio num verdadeiro pandemônio. Na medida certa, o filme flerta com o improvável e o humor negro, mas sabiamente não se afasta da realidade e prende o espectador à trajetória de autodescobrimento da protagonista.

    A bela Lindsay Lohan (de Sexta-Feira Muito Louca) não compromete e sustenta as transformações de sua personagem sem tropeços. Sem querer dar lições de moral, afinal, os jovens odeiam lições de moral, o filme passa sua mensagem e diverte. Uma boa pedida para os adolescentes.